Com quase o dobro do tamanho de Portugal e cerca da mesma população, o Cambodja situa-se no coração da Indochina. Com terreno relativamente plano, faz fronteira com o Laos, o Vietname e a Tailândia.
Em quase todo o passado século XX, o Cambodja foi sinónimo de sofrimento. Durante cerca de três décadas, a simples menção do seu nome trazia-nos à memória imagens das maiores atrocidades, torturas, fome, miséria, genocídio, bombardeamentos, minas terrestres, destruição e morte – e acima de tudo, o assomo da sombra ameaçadora dos Khmer Vermelhos.
Mas o Cambodja não foi sempre assim.
Antes de ter sido arrastado no turbilhão da Guerra do Vietname, nos finais de 1960, o país tinha uma invejável reputação de terra de paz e tranquilidade, com paisagens de enorme beleza, onde um povo próspero e feliz acolhia com simpatia os visitantes que aí demandavam em busca da assombrosa maravilha que é o complexo dos Templos de Angkor – Angkor Wat.
Desde os últimos cerca de 20 anos, com a paz restaurada, o Cambodja empenha-se para reconstruir a sua antiga imagem. E com o desaparecimento das últimas guerrilhas Khmer Vermelhas e a limpeza dos campos minados, tornando seguras estas áreas para o turismo, sem dúvida que o Cambodja já se está a tornar num dos locais mais visitados por turistas de todo o Mundo.
Porque sem sombra de dúvida, o Angkor Wat é a maior atracção histórica do sudeste asiático.
De facto, não existe nada na Terra que se possa comparar com a antiga capital do Império dos Reis Kmer “devaraja” ou “Deuses-Reis”. Pois a não ser no Vale do Nilo do Antigo Egipto, em nenhum outro lugar foram encontradas relíquias da antiguidade em tão monumental escala.
“Angkor nunca esteve perdida, apenas esquecida dos outros”
Foi só em meados do século XIX que ela despertou a atenção do Ocidente, quando em 1858, o missionário francês Charles-Émile Bouillevaux, depois de uma visita pelo Cambodja, escreveu o primeiro relato dando conta do que tinha visto. Mas foi o botânico francês Henri Mouhot que depois de ter visitado Angkor em 1860, trouxe a sua atenção para o Mundo, através do seu testemunho póstumo (ele viria a morrer de febres na floresta do Laos, no ano seguinte). Os restos desta “cidade perdida” tiveram de aguardar a chegada do regime colonial francês, quando os arqueologistas começaram a revelar ao Mundo os mistérios desse passado e deram início à sua reconstrução e restauração, que ainda hoje não está terminada.