01 – 11.000kms – Mais uns 1000 a somar à conta. Na nossa viagem anterior, em 9 meses fizemos 12000 e nesta, com mais de um ano no selim, temos onze mil e mais umas centenas. Só chegamos a uma conclusão: aprendemos a viajar! Lentamente, vendo o mais que podemos, passando tempo nos sítios, ficando, gozando do que o momento nos proporciona, aproveitando a viagem, fazendo por viajar e não correr, saltar de sítio em sítio, de casa em casa, de país em país. Vamos pedalando, ao nosso ritmo, ao ritmo do que, para nós, uma viagem deve ser: prazer!
02 -Tudo é Possível! – Até encontrarmos amigos longe do país! Foi assim em Deli, ao darmos um grande abraço ao Jorge Vassalo, mais conhecido por ter ido até ao Senegal com o Carlos Carneiro, num projeto que intitularam de “Até onde vais com 1000 euros?”. Almoçámos e trocámos o português que ainda sabíamos! Rimo-nos de histórias, de curiosidades, de contratempos! Conhecemos o seu novo projeto sobre a Índia (www.tudoepossivel.org) , um país que o apaixona e ao qual já voltou dezenas de vezes! Despedimo-nos e continuámos viagens: nós ficámos por Deli, para depois descer a Jaipur, ele voava para Mumbai, nessa noite! Até ao Natal, se tudo correr bem, Jorge! 03 – Mercados – Se existe algo que me lembra a Índia quando volto a casa, são os mercados noturnos! Local onde se vende tudo, onde tudo e todos se encontram, espaço especial para a fotografia. O comércio torna-se arte e tudo se discute, nada se vende ao preço exato e depois de chegados a um acordo, é preciso retificar o dinheiro, porque alguém se esquece sempre de dar o correto, seja a pessoa que compra, seja o vendedor no troco. No fim, ninguém sai chateado, ninguém faz cara feia. Os mercados noturnos são feiras de cor, de calor humano e para os nossos olhos, um fascínio!
04 – Festa à Portuguesa – E foi onde menos esperávamos que tivemos as melhores das festas na Índia: na Embaixada Portuguesa! Decidido a mudar a face de Portugal no exterior, a levar produtos portugueses para o país, a mostrar o que Portugal tem de melhor e a tentar que se vá além dos 3 F’s (fado, Fátima e futebol) e do eterno Vasco da Gama, o embaixador dá tudo o que tem para mostrar um Portugal diferente! Foi nesse sentido que fomos convidados a juntarmo-nos à comunidade portuguesa em Deli – pouco mais de quarenta – e comemorar a chegada de um cerveja nacional! O azeite já foi lançado, a cerveja chegou agora e os vinhos para cá navegam! Não devemos esquecer o Vasco da Gama, mas devemos olhar para o futuro, ou vamos sempre viver no “Canal História”. 05 – Amigos – Foi há já sete anos que conheci o Pashupati Mahato na Noruega, numa das minhas andanças para tentar ser voluntário em alguma organização humanitária. A minha intenção era não ser pago para trabalhar, mas também não pagar para o fazer, pois isto do voluntariado está cada vez mais a virar negócio. O Pashu, depois de dois meses juntos, em que lhe explicava quase todos os dias que “não era bem aquilo que procurava”, ajudou-me, secretamente, a encontrar uma escola na Índia onde pudesse dar azo à minha ajuda! Assim foi! Durante um mês vivi com a sua família numa pequena aldeia no estado de Bihar, mas o Pashu só o encontrei meses mais tarde, quando regressou da Noruega, já depois de outra experiência minha nos Himalaias indianos, noutra escola! Agora, sete anos depois, vive em Delhi e estivemos outra vez juntos, com toda a sua família e sentimo-nos…em família!
06 – Qutb Minar – Dos vários sítios protegidos pela UNESCO, na Índia, um dos mais interessantes situa-se em Delhi e marca a derrota do último reino hindu na cidade. O complexo é constituído por uma série de mesquitas – a primeira construída na Índia situa-se aqui – madraças e outros espaços ligados ao Islão, com destaque para o Qtub Minar, um minarete com 73 metros, com 15 metros de diâmetro na base e 2,5 metro no topo, dividido em vários segmentos, todos eles decorados com motivos religiosos. O minarete começou a ser construído em 1193 e pode ser visto de qualquer parte da cidade, marcando o anterior centro da mesma. 07 – Amber – O Arrastão é o estado mais turístico da Índia. Um estado desértico, onde a água é o elemento principal. Parece incoerente, mas não é. Cidades como Jaipur, Amber, Udaipur, Pushkar, entre outras, refletem-se por completo na água: lagos naturais e tanques construídos pelo Homem para armazenamento de água. Em Amber, a 10 quilómetros de Jaipur, a grande atração turística é o Amber Palace, embora quem tire um pouco do seu tempo para caminhar pela pequena vila, descubra um sem número de edifícios protegidos. Um dos que nos suscitou maior interesse, foi um tanque construído de maneira invulgar, com escadarias que descem até à água, parecendo-nos mais um desenho de Escher! A ilusão é fantástica e felizmente e nós éramos os únicos turistas!
08 – Benção – Foi num dos templos de Amber, um dos mais conhecidos e imagem de muitos postais na Índia, que fomos benzidos pelo sadhu que há muitos anos habita no seu interior. Uma homem santo, respeitado por todos, que já passou fronteiras e ao qual muito chegam para receberem bênção Nós, chegámos por acaso, sem saber de nada disto, mas o nosso colega ia informando-nos de tudo e sentimo-nos orgulhosos de receber a marca vermelha na testa das mãos de tão importante pessoa! Logo a seguir, penteou o cabelo, a barba e vestiu-se a rigor, para que o pudéssemos registar em “condições” em fotografia! 09 – Jaipur – Eternizámos os nossos saltos nos mais variados sítios e desta vez, foi no Hawa Mahal, em Jaipur, o famoso palácio construído pelo Maharaja Sawaj Pratap Singh, em 1799, para que as mulheres residentes no palácio, pudessem observar a rua, sem serem vistas – o palácio tem um total de 52 janelas decoradas – em tons de rosa (na fachada principal), assim como o são a maior parte dos edifícios da cidade, conhecida como a Cidade Rosa. Curiosamente, toda esta cidade era amarela (como se pode ver nas traseiras de alguns edifícios) só que numa visita da realeza inglesa, e ao quererem pintar toda a cidade para que esta ficasse apresentável e à falta de tinta amarela, os responsáveis decidiram optar pela cor que tinham em maior quantidade: o rosa! 10 – Pushkar – É uma das cidades mais santas para os hindus e foi aqui, no tanque que está no centro de toda a vila, que algumas cinzas de Gandhi foram lançadas. Se caminharmos para fora da rua mais movimentada, conseguimos encontrar alguma paz, mas ficámos sem compreender alguns dos viajantes que encontrámos, quando nos diziam que tinham vindo ali para descansar. O que nos fez lembrar, foi uma rua de Lagos em pleno Agosto. Ficámo-nos por ali duas noites e quando encontrávamos “caminho livre”, conseguíamos encontrar algum sossego, caso contrário, era uma algazarra. Porém, é um ponto obrigatório no Rajastão, com um dos únicos templos dedicados a Brahma em todo o mundo e ponto de peregrinação para os hindus. 11 – Victoria Terminus – Desenhado por Frederick Stevens, foi concluído em 1887. 34 anos depois, o primeiro comboio na Índia partiu daqui e hoje é a estação de comboios mais movimentada da Ásia. É o edifício gótico mais importante da cidade e mistura uma série de estilos que vão desde o vitoriano, ao hindu e mesmo à arquitetura islâmica. É Património Mundial da Humanidade, protegido pela UNESCO, desde 2004 e, mais do que uma estação, é monumento! Mais tarde mudou de nome para Chhatrapati Shivaji Terminus, mas ainda toda a gente se refere a local como Victoria Terminus. 12 – Frenesim – A Índia é um frenesim, sempre em movimento e um dos locais onde temos essa noção, é nas estações de comboio, autênticos espaços vivos, cheios de cor, de barulho, de pessoas que partem, que chegam ou que estão ali somente, sem nenhuma intenção em concreto. Os caminhos de ferro indianos, são o maior empregador do mundo, com mais de 1 milhão de empregados e só isto basta para imaginar o frenesim que é. Se a isto juntarmos a vida de mais uns quantos milhões que todos os dias utilizam os comboios, podemos chegar à conclusão que as estações são casas em movimento! 13 – Goa – São quinhentos anos de história e, claro, todo o património cultural e social que isso implica. A começar pela Velha Goa, capital dos territórios portugueses na Índia e que tem, provavelmente, uma das maiores concentrações de basílicas e igrejas do Mundo. Conhecida por “Roma do Oriente”, chegou a ter uma população maior do que Lisboa e é Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Caminhar pelas ruas de Panjim, é caminhar pela história e não é difícil encontrar pessoas que falem fluentemente a língua portuguesa. Estar em Goa é uma experiência estranha e ao mesmo tempo reconfortante! 14 – Postal Português – São tantos: Casa Lusitana, Barbearia República, Rua de Ourém, Bairro Alto dos Pilotos, Sapataria Natural, Casa Fernandes & Filhos, Prédio Abílio Pereira Coelho, Casa da Moeda, entre muitos outros. A cada passo, um português, em cada esquina, uma rua portuguesa, em cada olhar, sentir Portugal. Apesar de não termos feito grande trabalho em quase nenhuma colónia, de termos explorado os locais, são ainda muitos os que olham para o nosso país com uma certa saudade, que nos falam em português com orgulho e que utilizam a língua de Camões para cantarolar, acompanhados de uma guitarra. Neste momento, o português virou moda e há 1500 alunos a estudar o idioma. Infelizmente, é a pensar em empresas brasileiras que chegam ao mercado indiano agora, que o fazem. Nunca Goa foi tão brasileiro.