COMO IR:
Não há voos directos de Lisboa para Nova Deli. A British Airways, com escala em Heathrow, tem os voos mais baratos para a capital da Índia. Uma vez em Nova Deli, as companhias Indian Airlines e Jet Airways oferecem voos para as principais cidades da Índia.
DEVE SABER:
Formalidades de entrada – Para entrar no país, é necessário o passaporte em dia e um visto de turista, que deve ser obtido antes da partida na Embaixada da Índia. A prorrogação da duração do visto pode ser feita no país junto do Ministério da Administração Interna local (Ministry of Home Affairs).
Quando ir – A melhor época para visitar a Índia vai de Outubro a Março. No Norte, as temperaturas baixam depois da monção e o clima fica mais agradável. O Sul do país tem um clima subtropical todo o ano. Abril e Maio são os meses mais quentes em toda a Índia, com temperaturas de 40ºC. Durante as chuvas da monção, de Junho a Setembro, costuma refrescar.
Idioma O idioma oficial da Índia é o hindu, ainda que se falem cerca de outras 300 línguas. O tâmul é uma das línguas dravídicas do Sul e o inglês é a segunda língua oficial.
Moeda – A rupia indiana, que se divide em 100 paisa (1 rupia equivale a € 0,02). As agências de maior confiança para a troca de cheques de viagem são American Express, Thomas Cook e Citi Bank, podendo também utilizar-se os serviços do Bank of India ou do State Bank of India em quase todas as regiões. Os cartões de crédito são geralmente aceites nas lojas e nos bons hotéis. As gorjetas aceitam-se em hotéis e estabelecimentos turísticos.
Precauções sanitárias – As condições médico-sanitárias não são adequadas fora dos grandes centros. É aconselhável a imunização contra a febre tifóide, a hepatite e a cólera. Deverá ainda ser-se portador de um seguro de saúde e de medicamentos básicos para a disenteria e as intoxicações alimentares. Não se deve ingerir água que não seja engarrafada e selada (atenção, o gelo das bebidas pode não ser de água potável). São de evitar legumes crus, fruta previamente descascada, mariscos, ostras e molhos.
O que levar – Para quem vai aos Himalaias, recomenda-se um bom agasalho e calçado de montanha. Para as planícies, o melhor é levar peças de algodão ou linho e um casaco para as noites de Inverno no Norte. Para qualquer altitude, são sempre imprescindíveis um gorro, óculos de sol e protector solar.
VER:
MONTE SHIVLING
Este popular destino de peregrinação costuma iniciar-se em Haridwar (que tem ligação ferroviária com Nova Deli) ou em Rishikesh. Um autocarro leva até Uttarkashi (10 horas) e posteriormente viaja-se de jipe até Gangotri (4 horas), onde termina a carreira. Em Gangotri, a 3140 metros, inicia-se a rota de trekking. A partir daqui, são14 km até Bhujbasa, onde se encontram os últimos albergues. Uma hora depois, chega-se a Gaumukh, onde o glaciar de Gangotri constitui a nascente do Ganges. E, passadas duas a três horas de uma árdua subida, surge a planície de Tapovan, de onde se pode admirar o monte Shivling. Aqui, pode-se acampar ou dormir em grutas.
RIO GANGES E ARREDORES
O rio mais sagrado da Índia tem a sua origem no glaciar de Gangotri. Ao longo dos seus 2500 km, percorre todo o Norte do país até à sua foz, na baía de Bengala. Algumas das cidades mais sagradas da Índia encontram-se nas suas imediações: Rishikesh, importante centro de yoga e meditação; Haridwar ou “cidade da libertação”, onde o rio alcança os planaltos; Benarés, cidade santa do hinduísmo; Allahabad, ponto de encontro do Ganges e do Yamuna, palco do maior Kumbs Mela (ver caixa) e da vida de Buda, e, finalmente, Calcutá, capital cultural e industrial de Bengala.
BENARÉS
A cidade mais venerada da Índia é um microcosmo do universo sagrado do hinduísmo. Esta cidade eterna e encantadora é o centro da peregrinação mais importante da Índia e um dos seus destinos mais turísticos. Também é conhecida como Varansi e Kashi. Ao longo dos seus 70 ghatts ou margens com degraus de pedra junto ao Ganges, erguem-se vários templos e palácios. Os mais importantes são o Templo Dourado, Durga, Tulsia Manas e Bharat Mata. Benarés também conta com a imponente mesquita de Aurangzeb e com uma das universidades mais famosas do país.
PUSHKAR
Esta pequena povoação do Norte de Rajastán é famosa pelo seu lago e pelo único templo que existe dedicado ao deus Brahma. Além de ser local de peregrinação, é muito popular pela beleza da sua localização e pela atmosfera tranquilizante e colorida. Durante a lua cheia de Outubro ou Novembro celebra-se a feira de camelos, que atrai visitantes de todo o mundo.
KANCHIPURAM
É uma das sete cidades sagradas da Índia. A multiplicidade de espectaculares templos e o ilustre passado como centro de erudição fizeram dela a capital espiritual do estado de Tamil Nadu. Os seus templos mais importantes são: Ekambareshwara (século XVI), Kailasanatha (século VII), Vaikuntaperumal (século VII) e Kamakshiamman. Kanchipuram também é conhecida pelas suas pinturas em seda feitas à mão.
DORMIR:
Nenhum dos centros urbanos acima citados possui hotéis heritage nem de luxo, ainda que a oferta seja ampla e variada. Para mais informação e referências, consulte www.tourismoindia.com.
COMER:
A cozinha indiana difere enormemente segundo as suas variedades regionais. No Norte, predomina a comida estilo mogol, com o uso de especiarias. Esta zona tem ainda pratos de porco ou borrego (é proibido comer carne de vaca na Índia), o que não acontece na gastronomia do Sul, que é vegetariana, ainda que se coma peixe e marisco. Do Norte, destacam-se os pratos com as (referidas) carnes, no forno ou marinadas, enquanto que o mais típico do Sul são os famosos thalis, com todo o tipo de vegetais. Existe uma ampla variedade de sobremesas, sempre muito doces. Nos centros de peregrinação, costumam ser proibidos carne e álcool.
NA REDE:
www.tourismoindia.com Tudo o que precisa para preparar a viagem.
www.rajasthantourism.gov.in Página oficial do Turismo de Rajastán. Para além de muita informação completa sobre a região, é possível marcar voo e reservar hotel.
www.evaranasitourism.com Um guia completo de Varanasi (Benarés).
www.tamilnadutourism.org Site oficial do governo de Tamil Nadu. Muito completo.
www.touristplacesinindia.com Guia de viagens e hotéis em Ganges.
LER:
Lonely Planet India – Para desfrutar em pleno das milhares de experiências que este país oferece. Dos míticos Himalaias às cidades cosmopolitas. Mais de 200 mapas. Na Amazon.
À Descoberta de Índia – Os locais a visitar, o povo, a história e as tradições. Inclui uma classificação por estrelas para as principais atracções, itinerários, hotéis e restaurantes. Da Asa, na Webboom.
CURIOSIDADES:
1 – Kumbh Mela, caminho para a eternidade
Uma das passagens mais conhecidas da mitologia hindu conta uma batalha que teve lugar há milhões de anos entre os deuses e os demónios da Índia. Ambos lutaram por uma jarra ou kumbh que, diziam, continha o elixir da imortalidade. Após 12 dias de luta, os deuses venceram os demónios e beberam o conteúdo da jarra, mas durante a luta quatro gotas do néctar caíram na Terra, mais concretamente em Allahabad, Haridwar, Nasik e Ujjain. Em honra do auspicioso local, em cada três anos celebra-se o famoso festival de Kumbh Mela, que roda entre as quatro cidades e que reúne milhões de pessoas, naquela que é provavelmente a maior concentração humana da história contemporânea.
2 – Centros de peregrinação
De acordo com os Puranas, a literatura mitológica do hinduísmo, a Índia acolhe um intrincado labirinto de locais sagrados, agrupados segundo divindades, acidentes geográficos, números e, inclusivamente, sílabas sagradas do sânscrito, a língua religiosa da Índia. Os centros de peregrinação mais importantes são:
As quatro moradas de Vishnu: Badrinath (em Uttarakhand), Puri (Orissa), Dwarka (Gujarat) e Rameshwaram (Tamil Nadu).
As sete cidades sagradas que conferem libertação: Kanchipuram (Tamil Nadu), Dwarka (Gujarat), Mathura (Uttar Pradesh), Benarés (Uttar Pradesh) e Ujjain (Madhya Pradesh).
Os cinco lagos sagrados: Pushkar (Rajastán), Vindu (Gujarat), Pampa (Karnataka), Narayana (Gujarat) e Mansarovarar (Tibete).
Publicado na edição número 19 da revista “Rotas do Mundo” de Outubro de 2006