O Irão está sob contínuas sanções ocidentais, sobretudo norte-americanas, há quatro décadas. Embora os EUA, cautelosos com a guerra tradicional após as suas experiências nos longos conflitos do pós-11 de Setembro, confiem cada vez mais nas sanções como uma ferramenta-chave de política externa, não tem havido suficiente teorização crítica ou pesquisa empírica sobre os impactos das sanções económicas nas sociedades dos países afetados, nem como os mesmos mecanismos se cruzam com a guerra e o direito internacional.
Escrito por quatro especialistas no Médio Oriente, entre eles Vali Nasr, How Sanctions Work: Iran and the Impact of Economic Warfare cruza antropologia, economia e geopolítica para chegar a conclusões interessantes, num balanço que deveria fazer refletir os europeus, aqueles que precisam de alinhar uma estratégica tão eficaz como autónoma na reconstrução de influência no vizinho Médio Oriente. Dizem os autores que, em vez de prejudicar os líderes do regime iraniano, as sanções fortaleceram o regime teocrático, o aparelho de Estado e os militares, prejudicando sobretudo a população. O impacto da dureza sancionatória conduziu 20% da classe média para baixo do limiar da pobreza, colocando 80% dos cidadãos dependentes de ajudas governamentais. Não tenhamos dúvidas de que só a classe média pode, um dia, ser a força de mudança de um país central em toda a política do Médio Oriente. Desvitalizá-la é perpetuar o regime e o arco de conflitualidade que alimenta a região.