No passado dia 10 de março realizaram-se as eleições para a Assembleia da República, um direito conquistado com a revolução de Abril. Mas a democracia concebida em Abril é muito mais que a realização de eleições de x em x anos.
Ela comporta uma dimensão de democracia participativa, que não se esgota no ato eleitoral e que exige que se concretize o direito a participar na discussão e na decisão nas várias fases da vida: na escola, na faculdade, no trabalho, na associação e no bairro.
Sem esta dimensão a resposta aos problemas e anseios do povo fica limitada. Veja-se que a realização de eleições não apagou nem resolveu nenhum dos problemas com que o nosso povo e em especial os jovens passam. Pelo contrário, o quadro político, saído das eleições, é mais favorável aos interesses do grande capital e ao aprofundamento da política de direita, exatamente o oposto daquilo que o povo e os jovens precisam.
Mas para nós, dificuldades não significam inevitabilidades! Apesar de receios que são legítimos, não estamos condenados a viver pior e a ver o futuro que queremos roubado de nós. Está na nossa mão lutar pelo que é justo, pelo que temos direito, por mais Abril.
Fica mais claro que a luta é o fator determinante para resolver os problemas que milhares de jovens sentem e dar resposta as aspirações de toda uma geração que quer ficar em Portugal, quer construir aqui vida, uma vida com qualidade e contribuir para o desenvolvimento do seu país.
No momento em que se celebra os 50 anos da revolução de Abril, obra do povo português e da sua emancipação, podemos afirmar que o povo, os trabalhadores e os jovens continuam a semear Abril com a sua luta.
Os jovens lutam e lutam muito por Abril, nas escola, na faculdade e no trabalho.
E se é verdade que lutam e lutam muito, em Março levam ainda mais longe essa luta. Em torno do Dia Internacional da Mulher, do Dia Nacional do Estudante e do Dia Nacional da Juventude juntam-se milhares de jovens que teimam com a sua ação a provar que queremos saber e que não abdicamos de semear.
Lutámos na grandiosa manifestação de estudantes do Ensino Superior de dia 21 de março, lutámos de norte a sul do pais nas escolas secundárias e profissionais e lutaremos na Manifestação Nacional de Jovens Trabalhadores convocada pela CGTP-IN/Intejrovem.
Porque é com a luta que semeamos uma educação de qualidade capaz de assegurar a formação integral do individuo, a escola de Abril. Que semeamos a dignidade do trabalho, dignidade nos direitos e no salário. Semeamos a paz, o pão e a habitação e a tudo o resto a que temos direito.
E, passado março, continuaremos a semear.
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