De acordo com os dados reportados pelas instituições financeiras ao Banco de Portugal, os intermediários de crédito assumiram um papel central no mercado em 2024. Estiveram envolvidos em 57% do montante concedido e em 56% dos contratos de crédito à habitação e hipotecário. Também no crédito ao consumo o peso cresceu: 49,9% do montante total foi contratado através destes profissionais, face a 45,2% em 2023. Este crescimento expressivo levanta uma questão importante: o que leva tantos portugueses a recorrer a um intermediário de crédito em vez de irem diretamente ao banco?
A figura do intermediário de crédito é relativamente recente. Foi regulada pelo Banco de Portugal em 2018, com regras que definem claramente como estes profissionais podem atuar. O objetivo foi trazer mais transparência ao mercado e dar às famílias uma opção adicional de acesso ao crédito. Existem três categorias distintas: os intermediários de crédito a título acessório, que apenas podem intermediar financiamento associado aos bens ou serviços que comercializam; os intermediários de crédito vinculados, que trabalham apenas com os bancos com quem têm contrato e não podem cobrar ao cliente; e, finalmente, os intermediários de crédito não vinculados, que não estão associados a nenhuma instituição em particular e podem apresentar propostas de várias entidades, sendo remunerados diretamente pelo cliente mediante contrato.
O registo e a categoria de cada intermediário são públicos e podem ser confirmados no Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal. Esta informação é relevante porque ajuda a perceber as diferenças no modo como cada um atua, mas também a compreender por que razão tantos clientes preferem hoje recorrer a este serviço. Entre as vantagens mais referidas está a possibilidade de comparar propostas de várias instituições sem ter de percorrer banco a banco, algo que poupa tempo e facilita a análise. A experiência destes profissionais também se traduz numa maior capacidade para antecipar exigências, negociar condições e esclarecer dúvidas, tornando o processo menos burocrático e mais acessível.
Outro ponto valorizado é o acompanhamento próximo. A contratação de crédito, sobretudo no caso da habitação, é um processo exigente e muitas vezes gerador de ansiedade. Contar com alguém que conhece os procedimentos e que acompanha cada fase oferece segurança adicional. Acresce ainda que, na maioria dos casos, este serviço não tem qualquer custo direto para o cliente, uma vez que vinculados e acessórios não podem legalmente cobrar honorários. Apenas os não vinculados podem fazê-lo, mas nesse caso o valor é previamente acordado em contrato.
Apesar das vantagens, é essencial que o cliente tome algumas precauções. Deve confirmar se o intermediário está registado no Banco de Portugal, verificar a sua categoria, compreender se existe ou não custo associado e exigir transparência no número de propostas apresentadas, sobretudo quando há contratos com várias instituições. O regulador emite regularmente alertas sobre entidades não registadas que se apresentam como intermediários, pelo que esta verificação inicial é um passo fundamental para a segurança de quem contrata.
Em resumo, em poucos anos, os intermediários de crédito consolidaram-se como agentes fundamentais na contratação de crédito no País. A sua intervenção oferece benefícios claros, sobretudo na comparação de condições e na simplificação de processos, mas continua a ser responsabilidade de cada cliente garantir que recorre apenas a entidades credenciadas e que compreende bem o enquadramento do serviço. Só assim se pode tirar partido das vantagens que já levam a maioria dos portugueses a optar por esta solução.
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