No dia seguinte às eleições escrevi que António Costa e Augusto Santos Silva alimentaram um monstro político chamado Chega e que foram vítimas dele. Entretanto, sobre este tema já muito se falou e escreveu.
O resultado das eleições legislativa de 10 de março de 2024, seja ele qual for (ainda não conhecemos o resultado dos votos da emigração), é já um case study e será motivo de análise por vários anos.
A campanha, que não incluiu debate sobre temas estruturantes para o país, mas faits divers de lana-caprina, foi alvo de análises, debates e comentários como não há memória. Os candidatos mostraram o seu lado de “comum mortal” e por vezes chegaram à lágrima. Mas…
Ideias sobre a criação de uma rede de infraestruturas sólida e competitiva, particularmente ao nível portuário, da alta velocidade… nada
Energia, ou como vamos produzir a energia para o dia-a-dia, e cuja necessidade vai desde a escova de dentes ao automóvel passando pela cozinha… nada
Ideais para atrair investimento direto estrangeiro… nada
Estratégia para atrair jovens a continuar no país de origem… nada
Como vamos dar a volta ao caos na saúde, na justiça, na atração de talento para hospitais, educação, forças armadas… pouco, poucochinho ou nada
Como fica Portugal no próximo quadro comunitário, com a cada vez mais evidente entrada de novos países na União Europeia… nada
E a defesa, a instabilidade na NATO deve levar-nos a ter uma nova estratégia de defesa nacional ou não… nada
Metade da campanha foi a falar de cenários pós-eleitorais e a outra metade com pensões e impostos. Estratégia para o País… nada.
Fomos a votos e quando falta muito pouco para termos 100% de certeza de que os próximos tempos vão ser de negociação, que a ala mais à esquerda da Assembleia da República não vai facilitar a vida para que o país possa regressar ao pensamento e estratégia liberal, temos no terreno líderes de partidos que parecem recusar o veredicto dos portugueses. Um veredicto que poderá demonstrar que a história e a economia são cíclicas. Afinal, após um líder forte vem sempre um líder fraco; após uma maioria relativa vem sempre uma maioria absoluta.
Sem ser saudosista, foi graças a duas maiorias absolutas de direita que houve espaço de manobra para reformar em vários quadrantes e consolidar um Portugal mais forte. Será a história cíclica?
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