A história das relações diplomáticas entre Portugal e Israel revela um intrincado jogo de hesitações, pragmatismos e cálculos geopolíticos. O “bailado diplomático” entre Lisboa e Telavive – ou, como Israel preferiria, Jerusalém – é revelador das tensões entre ideologia, interesses e alinhamentos internacionais.
Israel proclama a sua independência em 1948 e, no ano seguinte, é admitido nas Nações Unidas com o apoio da União Soviética, que seria o primeiro país de grande importância a fazê-lo. Portugal apenas ingressaria na organização em 1955, após o levantamento de um persistente veto soviético. Ainda em 1948, o recém-formado governo israelita dirige-se a Lisboa, solicitando o reconhecimento diplomático. A resposta portuguesa é o silêncio.