Em janeiro de 2021 o país terá eleições Presidenciais. Estas eleições que elegem o Chefe de Estado e mais alto magistrado da Nação, irão ser disputadas em condições muito particulares.
Serão disputadas e realizadas em plena pandemia, que obviamente condicionará a campanha, mas também porque pela primeira vez na História da Democracia haverá formalmente um candidato que pertence à extrema direita xenófoba.
Este contexto leva antes de mais a um apelo para que os portugueses e as portuguesas vão votar e que exerçam esse direito entre os candidatos e candidatas que defendem uma democracia liberal e plural, que defendem valores civilizacionais que permitem um futuro de liberdade no presente e no futuro.
Contudo, entre os candidatos e candidatas que se apresentam a eleições e que se enquadram nos valores democráticos há diferenças que, obviamente, condicionam o modelo de sociedade que pretendemos construir. Ser Presidente da República é antes de mais assumir o compromisso de defender a Constituição Portuguesa e o funcionamento regular das Instituições com dever de colaboração institucional, mas também traz consigo a tal magistratura de influência e uma visão de base ideológica que importa ao país.
A candidatura de Ana Gomes, ao contrário de outras, não é fruto de um partido político, até porque estas eleições devem ser unipessoais e não de base partidária. É uma candidatura que traz consigo um movimento de cidadania, independente, mas que tem como base ideológica um projeto de esquerda com valores do socialismo democrático que afirma nas suas ideias e na sua ação.
Esta é uma das razões que me leva a apoiá-la, porque defendo convictamente que o País precisa de uma Presidente que defenda radicalmente o sistema democrático, através de um programa que inclui toda a sociedade portuguesa em igualdade de circunstâncias, contribuindo para o combate às desigualdades e para a afirmação de justiça social.
Uma visão conservadora de direita, será construída inevitavelmente por um conjunto de valores que excluem o caminho da conquista de direitos em temas inovadores, fruto do avanço civilizacional e democrático do século XX e que se estão a afirmar no século XXI, mas que terão mais dificuldades em serem bem-sucedidos num contexto presidencial de direita que, em princípio, será protagonizado por Marcelo Rebelo de Sousa.
Fenómenos como a desigualdade de género com fortes repercussões na desigualdade salarial, na violência doméstica, um dos maiores flagelos nacionais, ou na pobreza, que tem um marcado rosto feminino, e temas como a diversidade étnico-racial da sociedade portuguesa, para além de outras matérias ditas mais fraturantes, que têm de integrar todas as sensibilidades e a liberdade de escolha, mas também a defesa do Estado social, do Serviço Nacional de Saúde e da Escola Pública, são claramente diferentes entre uma visão conservadora de direita e uma visão progressista de esquerda.
Mas há ainda o fator extrema-direita xenófoba e a necessidade de uma candidatura assumidamente construída na base da cidadania e fora dos partidos políticos que assuma a liderança da oposição frontal contra o candidato André Ventura e a sua visão anti minorias étnicas, anti igualdade de género, anti direitos sexuais e reprodutivos, anti pessoas LGBTI, anti sistema político, anti democracia.
Ana Gomes é a candidata mais bem posicionada para travar esta luta e derrotar esta candidatura perniciosa e nefasta, ainda mais no momento em que o Partido Chega de que André Ventura é o líder, integra, pela mão do PSD, a solução governativa na Região Autónoma dos Açores, que nos confronta com o facto de ter deixado de haver linhas vermelhas no que toca á legitimação institucional deste tipo de movimentos.
A realidade nacional não é mais que parte de uma conjuntura internacional, na europa e fora dela, que tem feito caminho nas lideranças políticas populistas e antissistema. Mas o mundo é demasiado complexo para ser linear, e a vitória de Biden e Harris nos Estados Unidos são bem a prova de que há alternativas na linha justa e que a melhor prova disso mesmo é a democracia.
Por todas estas razões apoio a candidatura de Ana Gomes, sei que com a sua coragem, determinação, temeridade e forte convicção na defesa das pessoas e por essa via das instituições, trará um contributo de grande valor no caminho de uma sociedade livre, mais justa, mais solidária e mais igual.