Humorista, guionista, produtor, fundador das Produções Fictícias (PF) e director do Canal Q, a sua última aventura, Nuno Artur Silva sobe ao palco do Teatro São Luiz, de 7 a 10, para um monólogo sobre os tópicos que têm marcado a sua longa carreira. É o regresso ao lugar onde sempre foi feliz.
JL: O seu percurso é muito variado. Que faceta sua vai subir ao palco do São Luiz?Nuno Artur Silva: Não sou actor, nem comediante, por isso vejo estes espectáculos como uma extensão da minha principal (e primeira) actividade: a escrita. Antes de tudo, sou um autor. No fundo, vou apresentar um texto que escrevi.
Que modelo vai seguir?Será um monólogo acompanhado à guitarra e ao contrabaixo, pelos Dead Combo, como se estivéssemos do outro lado do Fado. E o António Jorge Gonçalves vai estar a desenhar o que me for passando pela cabeça. É uma variação do formato da Stand Up Comedy. Um monólogo, mas acompanhado.
A ideia de performance agrada-lhe?O meu começo foi precisamente por aí. Fazia sketch’s ao vivo com amigos, os mesmos que viriam a fundar comigo as PF. Só que na altura não havia internet ou canais por cabo. Era tudo ao vivo. Ao longo dos anos também nunca deixei de dar conferências, apresentar programas de televisão ou de ler textos. Aliás, no próximo dia 30, também no São Luiz, vou estar com o Sérgio Godinho a ler poesia, no espectáculo Isto não é um recital. Nos últimos anos a minha faceta de produtor e director sobrepôs-se às outras. De alguma maneira, estou a regressar ao lugar onde sou mais feliz.
Em concreto, o que se poderá ver e ouvir no espectáculo?Dividi-o em sete partes, em que falo disto (o próprio espectáculo), das conversas das pessoas, do ter feito recentemente 50 anos, desta vida de artista (de variedades), disto de fazer humor e rir as pessoas, do dinheiro e de Portugal.
A última será a mais engraçada ou a mais trágica?Não sei dizer, não tenho distanciamento. Trabalho com muitos registos, não só com a piada ou a graça. O meu objectivo é passar pelos vários tópicos da minha actividade profissional, desde que decidi ser argumentista.
Quais os próximos desafios das PF?Sempre nos caracterizamos por nunca ficarmos no mesmo sítio. Começamos como uma empresa de escrita e fomos diversificando. A nossa última aventura chama-se Canal Q. Estamos apostados em perceber como é que num mundo em que a televisão já não tem a importância que tinha e em que cada espectador vê o que quer às horas que quer ainda se podem criar conteúdos.
Estes tempos são próprios para o humor?Como o Fado, o humor está em todo o lado. Temos muitos e novos e bons humoristas, mas não nos canais de televisão. Estão a fazer pequenas coisas. É lamentável que não seja dada a esta nova geração de humoristas (atores, performers e escritores) a possibilidade de verem produzidas as séries e os filmes que deviam estar a fazer. É algo que cabe às televisões encomendar.
Qual o segredo para tantos anos – e espectáculos – de humor?Como diz José Mário Branco: inquietação, inquietação, Não dormir à sombra de eventuais conquistas, continuar a querer coisas novas, arriscar. Essa foi sempre a nossa filosofia: é mais interessante arriscar qualquer coisa de novo, mesmo sem saber o que vai acontecer, do que repetir receitas.