Todas as lojas da marca Auchan em Portugal começaram a vender alfaces, melões e melancias cujo registo do ciclo de vida da produção é feito através da blockchain – uma tecnologia descentralizada e de registos imutáveis. Através desta aposta, os consumidores podem saber o percurso daquele produto desde o momento da produção até à venda em supermercado. A empresa destaca a transparência de informação ao consumidor que este método permite.
Depois destas três categorias de produtos, a Auchan Retail Portugal tem como objetivo aplicar o mesmo sistema de registos a mais produtos que fazem parte da chamada ‘Produção Controlada’ da empresa e, até ao final de 2022, quer ter todos os produtos desta categoria registados na blockchain.
Além da informação geral sobre o produto, os cartões de informação por blockchain da Auchan têm ainda indicadores sobre a empresa responsável pela produção, se o produto é ou não geneticamente modificado, que tratamento foi feito após a colheita, se tem resíduos de pesticidas, a fonte da água usada para o cultivo, o local onde esteve armazenado e o local no qual foi feito a embalagem. O comprador tem acesso a esta informação fazendo uma leitura de um código QR que vai acompanhar a etiqueta dos produtos.
A tecnologia de blockchain usada pela Auchan Retail Portugal é da TE Food, uma empresa de origem alemã. Segundo a informação disponível no site da tecnológica, cada uma das empresas que participa no ciclo de vida do produto tem de ter uma licença emitida pela TE Food, sendo que cada um destes certificados permite à empresa em questão validar um determinado valor de transações por dia. A verificação que todos os intervenientes do processo fazem desse produto – cultivo, processamento, distribuição, entre outros – contribui para a construção do selo final de transparência daquele produto. No caso dos produtos da Auchan, o selo será semelhante ao que vê na imagem em baixo. A ferramenta de registos e rastreabilidade da TE Food é baseada no standard ERC20 da blockchain Ethereum.

“A tecnologia blockchain, também conhecida como “protocolo de confiança” por permitir registar dados em rede de uma forma segura, tem a vantagem de mobilizar todos os atores da cadeia de valor numa mesma plataforma. Além disso, aporta grande valor em matéria de segurança alimentar, já que, no final da cadeia, o consumidor passa a poder aceder, de uma forma completamente transparente, a todo o percurso do alimento que se prepara para consumir”, explica José Cordeiro, responsável de produtos, fornecedores e fileiras da Auchan Retail Portugal, em comunicado.