As agências de inteligência dos EUA têm por norma analisar livros como o de Snowden antes de estes atingirem os escaparates para assegurar que não estão a ser revelados segredos. No entanto, Permanent Record (Registo Permanente, na edição em português) não foi enviado para esta análise prévia por Snowden – com os defensores do livro a acreditarem que não seria possível haver uma revisão justa por parte das entidades governamentais.
O governo dos EUA tinha interposto uma queixa num tribunal federal a alegar que a falha na revisão contratualmente obrigatória faz com que Snowden não tenha direito aos lucros das vendas do livro ou que consiga fazer com os seus discursos. Um juiz do tribunal federal da Virginia deu razão ao governo e concluiu que, por Snowden não ter participado no processo de revisão, não foi possível surgirem questões sobre a idoneidade das agências estatais nessa revisão.
Assim, o juiz decidiu que os lucros das vendas do livro devem reverter para o governo, noticia o The Verge. Brett Max Kaufman, advogado do Centro para a Democracia da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU na sigla em inglês), discorda «da decisão do tribunal e vamos rever as nossas opções, mas é mais claro que nunca que o sistema de revisão pré-publicação injusto e opaco que está a afetar milhões de antigos funcionários do governo precisa de grandes reformas».