“Não se pode tratar mal a filha de um presidente de um país amigo de Portugal”. Esta é a suposta frase com que o primeiro-ministro António Costa terá exercido pressão sobre o então governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, para que o banco regulador não afastasse Isabel dos Santos da administração do Banco BIC. A revelação, que consta de um livro que será apresentado amanhã, terça-feira, pelas 17 e 30, na Fundação Calouste Gulbenkian (já lá vamos…), provocou um pequeno tsunami político: o primeiro-ministro de Portugal terá exercido pressão sobre o Banco de Portugal para favorecer uma empresária angolana, entretanto caída em desgraça pelas revelações inscritas no Luanda Leaks. O hacker responsável por estes ficheiros, Rui Pinto – sempre ele… – também já reagiu e lembrou o encontro de Costa com Isabel dos Santos, recebida em São Bento, em 2016, uma reunião, aliás, confirmada pelo chefe do Governo socialista.
António Costa, acusado, assim, por Carlos Costa, reagiu energicamente, anunciando que iria processar o ex-governador e nomeando, até – para impor respeito?… – o seu advogado, Manuel Magalhães e Silva. É bastante revelador o facto de, na quinta-feira, à entrada para a reunião da comissão política do PS, depois de ter enfrentado uma barreira de perguntas sobre o caso do secretário de Estado Miguel Alves, – e já depois de ter virado as costas aos jornalistas – o primeiro-ministro ter voltado atrás, quando ouviu a pergunta do repórter da RTP, Tiago Contreiras, sobre o caso Isabel dos Santos – só para anunciar o processo judicial.