É muito ou pouco aquilo que separa uma mulher em armas nas ruas de Kiev da diretora de dois teatros de Moscovo obrigada a demitir-se após subscrever uma carta de artistas e trabalhadores russos da área cultural contra a “operação militar especial” (única expressão permitida por lei) desencadeada por Putin na Ucrânia?
Na verdade, neste Dia Internacional da Mulher, há russas e ucranianas unidas na tragédia da guerra (e nas suas consequências), mas sobretudo conscientes de que levam muitos anos combatendo outras “guerras” numa trincheira comum sem que o mundo estremeça. Sim, é mais o que as une do que aquilo que as separa. Vejamos: enquanto o êxodo de famílias ucranianas se avoluma, ficam também para trás mulheres de várias gerações a defender, por vezes em armas, o seu país, e sujeitas a novas violações dos seus direitos e da sua condição em larga escala. Do lado de lá da fronteira, na Rússia, Nadya Tolokonnikova (da banda Pussy Riot), Elena Kovalskaya (diretora de um teatro estatal em Moscovo) e Katya Dolinina (gestora de dois teatros Moskino na capital da ex-URSS) deram voz e nome à luta contra a insanidade da guerra, pagando, no caso de Elena e Katya, o altíssimo preço do seu sustento em nome da liberdade de pensamento.