Através de uma curta entrevista a Natasha von Mühlen, promotora do evento, saiba um pouco mais sobre o Marketplace, um mercado onde se trocam produtos e serviços entre empresas, pessoas e instituições sociais. A primeira edição portuguesa realizou-se em novembro de 2014, em Lisboa e contou com a presença de 51 empresas e 96 instituições. O impacto social estimado do evento ultrapassou os 220.000 euros.
O que é o Marketplace?
O Marketplace é um mercado social onde bens e serviços são trocados. Para cada empresa com disponibilidade para prestar um serviço ou doar um bem, há uma instituição com necessidades a ser supridas. Qualquer ajuda é uma boa ajuda! Neste evento todos podem dar e receber, nomeadamente com: voluntariado, conhecimento, acesso a redes, bens, criatividade, serviços, instalações, entre outros.
Qual foi o objetivo inicial do Marketplace e como funciona exatamente?
O objectivo da organização do Marketplace passa pela realização de ‘matches’ entre empresas e instituições do sector social que não envolvam a troca de dinheiro. A realização de ‘matches’ entre representantes dos dois sectores possibilita-lhes a realização de parcerias e o acesso a novas redes de contacto em pouco tempo. O que uma organização tem a oferecer pode suprir as necessidades de outra traduzindo-se, o Marketplace, num veículo informal e dinâmico do qual resultam benefícios para as duas organizações. Por exemplo, uma empresa que queira substituir a sua mobília antiga por uma mobília nova pode doá-la a uma instituição que careça desse material.
Foi difícil trazer o conceito para Portugal ou os portugueses adaptaram-se logo?
O Marketplace nasceu na Holanda, onde são organizadas, anualmente, cerca de sessenta e cinco edições, e que tem vindo a estender-se ao resto do Mundo. Através da instituição promotora do evento na Holanda temos conhecimento de que este modelo já se realizou noutros países, como Espanha, Alemanha, Bélgica, Hungria e Austrália, e acreditamos que a sua realização tenha passado também por outros países, eventualmente com um branding diferente. No entanto, em Portugal a gestão do Marketplace é idêntica à gestão realizada pela organização holandesa. Uma vez que o mercado actua no sentido de promover a responsabilidade social por parte das empresas através da efectivação de trocas entre ele e as instituições sem fins lucrativos, os benefícios daí decorrentes foram extremamente apelativos para a comunidade portuguesa que acabou por render-se a este conceito e adaptar-se aos seus contornos.
Como são escolhidas as instituições presentes no Marketplace?
Todas as instituições de carácter social, seja qual for o seu ramo de actuação, podem participar no evento. Para isso, basta apenas que se inscrevam através do formulário disponibilizado no website do Marketplace Portugal, até à semana que o precede.
Como pretendem aprofundar o impacto social do Marketplace nas empresas, por exemplo? Elas são convidadas a participar no evento?
O comprometimento para com a comunidade permite às empresas gerir e reforçar o relacionamento com os seus públicos o que, consequentemente lhes permitirá melhorar a sua imagem e aumentar a sua reputação. É importante frisar que para participar neste projecto as empresas não necessitam de ter uma política de responsabilidade social activa podendo apenas estar a considerar apoiar uma instituição numa acção pontual. Uma empresa tem, assim, a oportunidade de impulsionar um eixo da sua estratégia de responsabilidade social e, ao mesmo tempo, doar bens e serviços à comunidade.
Quando é que tudo começou, em Portugal, qual o balanço que fazem da última edição e o que está previsto para 2015?
A primeira edição do Marketplace em Portugal realizou-se em Novembro de 2014, em Lisboa. O evento contou com a presença de 51 empresas e 96 instituições e formalizou 122 ‘matches’ entre elas, o que culminou num impacto social estimado de mais de 220.000€. Nesse dia foram trocados serviços de voluntariado, de gestão e consultoria, foram disponibilizados espaços e doados móveis, entre muitos outros. O sucesso da primeira edição do Marketplace veio confirmar os benefícios trazidos pelo modelo holandês e o interesse dos dois sectores em cooperar um com o outro de acordo com os seus interesses e recursos. Este ano o Marketplace será realizado no Porto, a 18 de junho, em Oeiras, a 25 de junho, e em Lisboa, em outubro. As Câmaras Municipais do Porto e Oeiras contactaram-nos com o desejo de fazer parte deste projecto o que nos possibilitou expandir o nosso raio de acção e chegar também a essas duas cidades. Gostaríamos de obter resultados semelhantes aos alcançados em 2014 e conseguir introduzir eficazmente este conceito nas duas novas localidades, pelo que continuaremos a trabalhar nesse sentido.