Naqueles três centímetros do nosso cérebro está a diferença entre viver e morrer. Falamos da amígdala cerebral, duas estruturas em forma de amêndoa localizadas no sistema límbico, que regula as nossas emoções, os comportamentos e as memórias. Ela “lê a sala”, como se costuma dizer – recebe as informações sobre os estímulos que nos rodeiam e soa o alarme, desencadeando as nossas reações. Perigo: lutar ou fugir. A decisão é tomada numa pequena fração de segundo e deixa-nos exaustos. Este é o domínio do primitivo, do instintivo, da sobrevivência. Aqui vive o medo. Aqui vive a nossa ansiedade.
Poderíamos dizer que o stresse acontece quando estamos face a face com um predador e a ansiedade quando receamos encontrar um predador. Stresse é presente, ansiedade é futuro. Mas as coisas não são assim tão simples. “Um estudante pode sentir stresse por dias antes de uma prova importante, há um stresse que é crónico. Já a ansiedade é uma emoção que leva a um pensamento de ordem catastrófica. É como se fosse uma voz na cabeça desse estudante, dizendo: ‘De que adianta estudar se sabes que, no final, vais tirar notas más? Já aconteceu antes e vai acontecer de novo’”, esclarece Alexandre Amaral Coimbra, psicólogo e autor de um dos mais ouvidos podcasts brasileiros, Cartas de um Terapeuta.

