Manuel Alves não desenhou apenas roupas; esculpiu memórias, talhou identidades, pintou com linhas e cortes a narrativa de um Portugal que ousa, que brilha. Junto ao inseparável José Manuel Gonçalves, a dupla Alves/Gonçalves reescreveu as regras da moda, misturando ousadia com uma elegância intemporal. Os desfiles não eram meras apresentações, mas atos poéticos, onde cada peça sussurrava segredos ao observador mais atento.
A irreverência, a constante reinvenção, a modernidade, a eterna juventude e a liberdade encheram cada sala de desfile e ficarão eternizadas em cada peça de moda criada pelo Manuel. Cada peça de arte, será mais correto dizer. O respeito pela criatividade artística, o foco na inovação e na constante busca pela novidade em torno do negócio da moda fazem do Manuel Alves um eterno visionário.
Com o Manuel Alves, o Portugal Fashion escreveu importantes momentos da moda nacional, em Nova Iorque, São Paulo, Paris e no Porto. O Porto que será sempre cidade invicta nas suas últimas memórias de desfile. No Museu Nacional Soares dos Reis (sempre a arte), num desfile noturno, em pleno Velódromo Rainha Dona Amélia, onde até a chuva parece ter sido por ele antecipada, pois o Manuel pediu-nos mantas térmicas douradas para que os convidados brilhassem como parte da experiência cénica.
A sua partida deixa um vazio que não se preenche com palavras, mas com as memórias vividas. Fica a recordação de um homem que fez do seu ofício uma arte maior, e que vestiu o mundo com sonhos feitos à medida. E, assim, nas tendências do tempo, Manuel Alves foi, é, e será sempre, um fio, uma linha, que o conduziu até ao espaço maior: o eterno.
*Mónica Neto
Diretora do Portugal Fashion
