Viver 120 anos (com boa saúde): O grande negócio da longevidade

Viver 120 anos (com boa saúde): O grande negócio da longevidade

Vivemos com a certeza de que haveremos de morrer. Mas será a omnipresença da morte, ao longo da vida, o gatilho para se querer viver para sempre? As vantagens e os inconvenientes de uma vida eterna são material fecundo nas artes e na literatura, e recordamos as palavras de José Saramago no lançamento da obra As Intermitências da Morte (2005): “Seria muito violento viver se não houvesse a esperança de deixar de o fazer um dia, (…) se existisse a obrigação de viver para sempre, sem a hipótese de um fim.” Será que somos todos assim tão desprendidos?

“Quanto mais as pessoas perceberem que vão viver mais tempo, mais vão querer investir em tudo o que acharem que lhes vai permitir aumentar o tempo de vida, por um lado, e viver melhor, por outro”, explica Ana João Sepúlveda, socióloga, consultora da 40+ Lab e presidente da associação Age Friendly Portugal.

Falar do mercado da longevidade é descobrir o mundo das terapias genéticas, da imunoterapia, do desenvolvimento de novos fármacos e de novas vacinas, da produção e encomenda de células personalizadas, do rejuvenescimento de tecidos e órgãos, entre múltiplas teorias e procedimentos que nem sempre chegam a sair do laboratório. Fazer com que os ensaios clínicos em humanos sejam bem-sucedidos é, aliás, uma das grandes barreiras na busca do elixir da juventude. “Somos peritos em resolver questões em ratinhos de laboratório – até conseguimos rejuvenescê-los! Passar para os humanos é muito mais complexo, logo a começar por os ritmos circadianos dos ratos serem diferentes dos das pessoas”, explica Paulo J. Oliveira, investigador e vice-presidente do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra.

Investigação  A procura por uma “pílula da juventude” está transformada numa autêntica corrida. Já existem dois fármacos candidatos, mas do mercado da longevidade fazem parte terapias genéticas, imunoterapias, novas vacinas, produção e encomenda de células personalizadas, entre outras descobertas Foto: GettyImages

Nada que, até agora, impeça o setor de ter um crescimento exponencial. “Nos últimos dois anos, o mercado da longevidade recebeu mais de 5,2 mil milhões de dólares em investimentos diretos nas pequenas e médias empresas e, sobretudo, nas startups surgidas nos últimos cinco anos”, afirmou Jorge Lima, fundador da Unipeer Solutions e organizador da Longevity Med Summit, aquando da sua realização, em maio de 2023, em Cascais. “Estamos a projetar um crescimento do mercado na ordem dos 43 mil milhões de dólares até 2030”, acrescentou.

Segundo uma análise feita no Reino Unido, pela London Business School e pela Universidade de Oxford, um abrandamento do envelhecimento que faça aumentar a esperança média de vida em um ano vale 38 mil milhões de dólares.

A estimativa do Banco da América também vai na direção ascendente. Incluindo nela a genómica, a big data e Inteligência Artificial, a alimentação do futuro, a resistência à idade e a medicina moonshot (propostas de ideias radicais para grandes problemas com a ajuda da tecnologia, como a investigação para as vacinas contra a Covid-19 e medicamentos antivirais), a conclusão é que o valor desta indústria global chegará aos 610 mil milhões de dólares até 2025, com uma taxa de crescimento anual de 28%. “Só o mercado da genómica está a crescer a 14% ao ano, atingindo 41 mil milhões de dólares até 2025”, afirma Felix Tran, analista de investimentos do banco.

“É uma indústria intergeracional e começa cada vez mais cedo”, sublinha Ana João Sepúlveda, especialista em economia da longevidade. “Em Espanha, o tema já se encontra nos manuais escolares. Os países vão ter de promover o aumento do número de anos de vida saudável – não basta viver mais tempo. O Serviço Nacional de Saúde [SNS] há de ter consultas de longevidade, mas em Portugal ainda estamos centrados no envelhecimento. O financiamento do SNS está mais virado para as doenças do que para a prevenção. Esta é a grande mudança que a indústria da longevidade vai trazer.”

Seremos todos centenários?

Com a população mundial acima dos oito mil milhões de pessoas, ao colocar-se a lupa sobre a demografia, surgem dados interessantes que fazem soar os alarmes dos relógios, sobretudo dos biológicos. Hoje, a esperança média de vida à nascença em todo o mundo é de 73,4 anos e, em Portugal, segundo dados recentes apresentados em novembro, pelo Instituto Nacional de Estatística, é de 84,75 anos, um aumento de 1,68 meses em relação ao triénio 2020-2022. A esperança média de vida aos 65 anos está agora estimada em 19,75 anos.

Um quarto (24%) da população portuguesa tem 65 anos ou mais. Há três décadas, o País tinha 1,4 milhões de pessoas nessa faixa etária; em 2022, eram 2,5 milhões e, em 2050, serão 3,4 milhões. Em 2050, Portugal será o quarto país da União Europeia com maior percentagem de idosos (31,9%), só ultrapassado por Espanha (35,6%), Itália (35,3%) e Grécia (32,5%). “Os países mediterrânicos continuarão a verificar uma baixa taxa de natalidade, conjugada com uma esperança de vida longa e com saúde”, justificou o diretor da unidade de Demografia do Eurostat, Konstantinos Giannakouris.

O limite da nossa longevidade é desconhecido e em nada consensual na comunidade científica. Uma fação de cientistas admite que o tempo máximo de vida não pode ir além dos 115 anos, ou 120, no máximo, apoiando-se nos registos validados até hoje dos centenários mais longevos e num estudo divulgado em 2021, na revista Nature. (A pessoa que mais tempo viveu foi a francesa Jeanne Calment, que chegou aos 122 anos e morreu em 1997.)

Um grupo de investigadores de 14 países analisou o número de nascimentos e de óbitos de primatas e humanos ao longo de vários séculos e continentes e concluiu que partilhavam o mesmo padrão de mortalidade: o risco de morte era elevado na infância, declinava na adolescência e mantinha-se baixo até ao início da idade adulta, mas depois aumentava sempre, e as restrições biológicas eram imparáveis e fatais.

Mais otimista, a outra fação admite a possibilidade de prolongamento do jogo. A seu favor, uma pesquisa demográfica publicada na prestigiada Science, e intitulada “The Plateau of Human Mortality”: os autores estudaram a trajetória de sobrevivência de quatro mil pessoas e verificaram que o risco de morrer subiu até aos 80 anos, desacelerou a partir daí e, aos 105, estabilizou. Mais: a cada ano, havia 50% de hipóteses de continuar vivo. Seguindo esta lógica, seria possível chegar aos 150 anos, como sugeriu Steven N. Austad, diretor científico da Federação Americana para a Investigação em Envelhecimento.

Acontece que assistimos à expansão dos centenários, à escala global. Estimativas das Nações Unidas apontam para mais de meio milhão de pessoas com mais de 100 anos no mundo – perto de 100 mil nos EUA, seguidos do Japão, com quase 80 mil – e podem chegar aos 25 milhões, em 2100. Em Portugal, onde há 185,6 idosos por cada 100 jovens, os centenários não chegam aos três mil. A partir de 2060, projeta o INE, haverá 300 idosos por cada 100 jovens.

Tiquetaque, tiquetaque

“Há dezenas de anos que investigamos as causas do envelhecimento. Nos anos 80 e 90, com a teoria dos radicais livres que promoviam o envelhecimento; depois a ‘moda’ dos antioxidantes como sendo comprimidos mágicos para tratar o envelhecimento, que afinal veio a comprovar-se não ser assim. Na última década, a curiosidade expandiu-se porque começou a descobrir-se as várias facetas do que causa o envelhecimento e as suas consequências. O que os investigadores fazem é tentar perceber os mecanismos que levam às consequências do envelhecimento: porque fica a pele enrugada? Porque não bombeia o coração tanto sangue? Porque começa a falhar o fígado? Porque temos mais doenças crónicas?”, exemplifica Paulo J. Oliveira.

Para o investigador, entre os fatores que alavancaram o foco nas investigações antienvelhecimento “com grande interesse comercial” está a descoberta das diferenças entre a idade cronológica (os aniversários celebrados) e a idade biológica (“a idade das nossas células, que, por diferentes causas, como estilos de vida menos saudáveis, a epigenética – em que cabe fumar, beber álcool, stresse, exposição à poluição ou vida sedentária –, pode ser superior à cronológica ou, pelo contrário, inferior, devido a boas práticas, desde um ambiente intrauterino muito saudável”).

Maduros e ativos Os mais velhos representam 25% do poder de compra global, uma fatia enorme, que desperta cada vez mais a atenção das marcas Foto: GettyImages

Um estudo recente, ainda sem revisão, publicado na base de dados bioRxiv, sugere que a expectativa de vida máxima de cada espécie é estimada usando a idade do seu membro mais velho, e varia entre os mamíferos. Qual a explicação para os musaranhos comuns viverem apenas dois anos, enquanto as baleias-da-gronelândia chegam aos dois séculos?

Agora, os cientistas propõem que a epigenética poderia explicar, pelo menos parcialmente, essas diferenças. Usando dados epigenéticos de 348 espécies de mamíferos, os investigadores treinaram um algoritmo para prever a expectativa de vida máxima de cada espécie com base nos padrões de metilação do ADN. Foi até possível prever a expectativa de vida máxima de uma espécie (como um todo, mas não a longevidade de cada indivíduo) sem saber de qual espécie veio a amostra, informou a revista New Scientist.

Para Adiv Johnson, diretor de pesquisa e inovação da Tally Health, empresa de investigação do envelhecimento, é necessária uma compreensão muito mais profunda da biologia do envelhecimento para que esta seja uma realidade num futuro próximo. No entanto, “seria fascinante saber se estes padrões de metilação do ADN estão ligados a processos relevantes para as características estabelecidas do envelhecimento, como a reparação do ADN”.

A aspiração passa por encontrar aplicações terapêuticas da investigação, em que poderá ser possível atingir enzimas epigenéticas, suscetíveis de aumentar a longevidade ou retardar o envelhecimento.

No futuro, Paulo J. Oliveira gostava que existisse um relógio biológico unificado, capaz de avaliar todas as células em simultâneo, podendo assim antecipar os riscos, incidindo mais na prevenção do que na cura, como acontece agora.

Como rejuvenescer os órgãos

É nesse campeonato que entra a GlycanAge, startup sediada em Londres, pioneira em biotecnologia e centrada em revolucionar os cuidados de saúde preventivos. “Após três décadas de investigação científica rigorosa, desenvolvemos um teste caseiro [custa €554], fácil de usar, que mede a saúde naquele momento e no futuro. Uma estimativa precisa da idade biológica da pessoa, conseguindo prever 72 doenças até uma década antes do seu aparecimento”, explica à VISÃO Nikolina Lauc, cofundadora e CEO da GlycanAge.

O interesse aumenta à medida que a população envelhece. “Os principais relógios de envelhecimento foram publicados, pela primeira vez, há apenas dez anos – o relógio epigenético de Steve Horvath e o relógio glicano de Gordan Lauc –, e as descobertas revolucionárias e os avanços científicos são os principais impulsionadores deste campo em crescimento”, acrescenta a empresária.

A longo prazo, na opinião de Paulo J. Oliveira, a impressão em 3D de órgãos fará com que alguém, aos 80 anos, com um fígado em mau estado, por exemplo, faça um transplante, e a idade do fígado passa de 80 para 20. Mas isso ainda vai demorar para lá de uma década.

Com maior interesse comercial, a reutilização de fármacos está a ser testada no contexto do envelhecimento celular, para se perceber se é possível remover as células senescentes (envelhecidas, em estado pró-inflamatório) de vários dos nossos tecidos e órgãos, que contribuem para as patologias associadas à idade. Alzheimer, diabetes, aterosclerose, fibrose pulmonar, artrite, osteoporose e diversas doenças oculares resultam das células que, em modo zombie, minam as células saudáveis à volta e se acumulam nos tecidos.

A transplantação mitocondrial, com diversos estudos feitos em animais de laboratório e outros preliminares em bebés que sofriam de uma cardiomiopatia grave, mostra que o procedimento pode, de facto, rejuvenescer os órgãos. As mitocôndrias, organelas que temos nas células conversoras de energia, “são as nossas centrais elétricas”. “Com o envelhecimento, a produção de energia pelas células vai diminuindo, estando condenada a morrer ou a ficar senescente. Há empresas dedicadas a fazer transplantação mitocondrial, pegando em mitocôndrias guardadas na juventude ou de uma pessoa mais nova e injetadas na circulação ou perto do órgão afetado”, descreve o investigador.

A longevidade do ser humano pode ser planeada muito tempo antes, logo na sua gestação, com uma gravidez muito saudável, de modo que o relógio biológico da criança que vai nascer seja mais lento. “A manipulação da nutrição da grávida é algo com grande impacto na descendência. A subnutrição em mães adolescentes, por exemplo, faz com que o feto compita pelos mesmos nutrientes – há uma subalimentação do feto. Essa criança, ao nascer, vai estar exposta a um ambiente obesogénico [potencia comportamentos menos saudáveis], havendo um desfasamento face ao ambiente intrauterino. Terá tendência para que o seu relógio biológico ande mais depressa e sofra doenças metabólicas, como diabetes ou colesterol.”

O novo maná de negócios

A investigação biotecnológica sobre o envelhecimento e a longevidade está a viver a sua era dourada, financiada por milhares de milhões de dólares provenientes de investimentos de capital de risco, da indústria farmacêutica, de entidades sem fins lucrativos e de excêntricas fortunas. Grande parte do dinheiro vem dos bolsos dos homens mais ricos do mundo, como Jeff Bezos (Amazon), Sam Altman (ChatGPT), Larry Page (Google) ou Peter Thiel (PayPal), que preferem manter a discrição.

“O investimento tem sempre uma componente emocional, envolvendo o ego de pessoas que acreditam na imortalidade e que estão a pôr muito dinheiro nisso”, resume a socióloga Ana João Sepúlveda.

Primeiro, surgiu a Calico Life Sciences, lançada pela Google; depois, a Human Longevity, parceria do bioquímico e empresário ligado ao sequenciamento do genoma humano Craig Venter e do investidor e futurista Peter Diamandis. Nenhuma destas apostas trouxe novidades, o que não faz com que a motivação dos milionários esmoreça.

Em março de 2023, Sam Altman, presidente da OpenAI, revelou que há dois anos tinha investido 180 milhões de dólares na Retro Biosciences, uma empresa de Silicon Valley fundada com o objetivo de acrescentar dez anos à esperança de vida humana saudável.

Televisão

Como viver até aos 100 anos

Viagem aos cinco lugares do mundo com populações mais longevas, numa minissérie da Netflix

Os quatro episódios de Viver até aos 100: Os Segredos das Zonas Azuis têm como anfitrião Dan Buettner, 63 anos, explorador da National Geographic e autor de best-sellers do The New York Times. Depois de ter procurado os lugares onde as pessoas vivem mais anos do que a média, e com uma grande concentração de centenários, nasceu o conceito de “zonas azuis”.

Em Okinawa, no Japão, nas aldeias nas montanhas da Sardenha, em Itália, nos subúrbios soalheiros em Loma Linda, na Califórnia (EUA), na ilha grega de Icária e na península de Nicoya, na Costa Rica, moram as maiores populações de centenários. E vale bem a pena conhecer os seus hábitos de vida e o ambiente em que estão inseridos. Embora o propósito da série realizada em modo road trip seja entreter e ensinar – e não dar conselhos de saúde –, é difícil não tomar notas.

Em comum, estas pessoas têm uma alimentação à base de plantas; não fumam; põem a família em primeiro lugar na lista de prioridades; são socialmente muito ativas e integradas na comunidade; e não são sedentárias, mantendo uma atividade física moderada.

Eles estão dispostos a pagar o que for preciso a cabeças iluminadas para alcançar os segredos da longa vida. A prova está no financiamento de €2,6 mil milhões da startup Altos Labs, fundada em 2022, em Silicon Valley, por Richard Klausner, responsável do Instituto Nacional do Cancro, nos EUA, e por Hans Bishop, que geria uma empresa de diagnóstico oncológico. A Altos Labs procura estender a vida e reverter o envelhecimento através das células pluripotentes – no fundo, e simplificando muito, trata-se de tentar transformar células envelhecidas do nosso corpo em células estaminais.

O magnata da Amazon, Jeff Bezos, é um dos investidores, e os cientistas de topo que aceitaram o convite têm total autonomia. No conselho científico da equipa-maravilha, destaca-se Shinya Yamanaka, o médico japonês da Universidade de Quioto e Nobel da Medicina em 2012, que descobriu quatro proteínas que regulam os genes e conseguem “atrasar o relógio biológico”, levando à reversão de células envelhecidas para um estado anterior à diferenciação e tornando-as pluripotentes (adaptáveis a qualquer órgão ou tecido).

“A longevidade pode tornar-se a maior indústria do futuro, já que todos estão interessados em ter uma vida saudável, feliz e talvez até mais longa”, afirma Marc P. Bernegger, sócio fundador da Maximon, empresa suíça que apoia e financia a criação de empresas focadas na longevidade, entre elas a Avea e Biolytica, com o volume de investimentos nos 33 milhões de dólares.

Na Europa e nos EUA, já existem fundos de investimento focados exclusivamente em startups que tentam enfrentar os efeitos devastadores que a passagem do tempo tem nas células e moléculas. “Cerca de 5,2 mil milhões de dólares em fundos foram angariados por empresas em diferentes fases do seu desenvolvimento na indústria global da longevidade”, estima Damien Ng, diretor-executivo de investigação temática do Julius Baer, grupo bancário privado suíço. Para efeitos de comparação, há uma década o setor mal recebia 500 milhões de dólares em fundos. Damien Ng acredita que os investimentos continuarão a aumentar: “O mercado deverá ser capaz de arrecadar mais de 15 mil milhões de dólares até 2030 em áreas terapêuticas inovadoras, como programação celular, restauração de membranas celulares e medicina regenerativa.”

A família real saudita quer tornar-se um dos investidores mais importantes na investigação antienvelhecimento e lançou a Fundação Hevolution, que planeia investir mil milhões de dólares anuais.

Menos burocracia precisa-se

À medida que os sistemas de saúde foram melhorando, as pessoas passaram a viver mais e melhor. Mas, atrás disso, surgem outros problemas: doenças menos frequentes, outras desconhecidas, e importa agora conhecer as causas e fazer o acompanhamento dos doentes. Esta é a convicção de Jacobo Muñoz, diretor médico da Janssen Portugal, licenciado em Medicina, com o internato feito em Oncologia Médica no Hospital Ramón y Cajal, em Madrid, onde trabalhou durante cinco anos.

São seis as áreas terapêuticas em que a farmacêutica do grupo Johnson & Johnson aposta, almejando ter os fármacos mais inovadores na oncologia, hematologia, imunologia, neurociências, hipertensão pulmonar, doenças infeciosas e vacinas – e, para isso, gastando 14 mil milhões de euros por ano em investigação, à escala mundial.

“Ao nível dos ensaios clínicos, Portugal tem melhorado nos últimos anos, porque desde 2018 é considerado core country. Está entre os países selecionados para receber investigações, por ser capaz de recrutar doentes para ensaios, por exemplo. Hoje, temos mais de 30 ensaios clínicos a decorrer. No entanto, ainda não é um país competitivo. É preciso simplificar a burocracia”, alerta Jacobo Muñoz.

Marcas do tempo Em laboratório, os cientistas conseguiram rejuvenescer em 30 anos as células da pele de uma mulher de 53, tanto no aspeto como no funcionamento.A aplicação na vida real ainda vai demorar, já que a técnica revelou-se altamente tóxica

Em Espanha, os centros de investigação clínica dos hospitais públicos são autónomos, têm recursos próprios. Em Portugal, estão dependentes da gestão hospitalar, exemplifica o especialista em oncologia.

Recentemente, o fármaco criado pela Janssen para combater o cancro do pulmão – “com uma nova forma de atuar, atacando duas mutações ao mesmo tempo”, distinguido como medicamento do ano pela Sociedade Farmacológica Britânica – estará à venda em 2024 em muitos países da União Europeia. Em Portugal, na melhor das hipóteses, só em 2025.

Jacobo Muñoz explica que “o Infarmed demora, em média, 676 dias a dar acesso aos medicamentos aprovados pela Agência Europeia de Medicamentos – situação que piora para a aprovação de fármacos oncológicos, com 750 dias, mais de dois anos, à espera de autorização”.   

Pedro Moura, presidente do conselho de administração da Merck, a farmacêutica mais antiga do mundo, fundada em 1668, destaca mais um fator que põe o holofote nas terceira e quarta idades – a distinção entre a incidência de uma doença (número de novos casos) e a sua prevalência (número total de casos), bem como a análise comparativa da prevalência na população total e nos maiores de 65 anos. “Quando temos um número assustador, como 43% dos portugueses com hipertensão, se olharmos para os maiores de 65 anos, com 74%, torna-se muito mais assustador. E isto é verdade numa série de outras patologias. O estilo de vida, a farmacologia, a alimentação, a profilaxia, os meios complementares de diagnóstico concorrem todos para o mesmo desiderato: que as pessoas vivam mais anos.”

Tratamentos à medida

Líder no tratamento da infertilidade e pioneira no da esclerose múltipla, a Merck assenta um dos seus pilares na oncologia e imuno-oncologia, com quatro centros de investigação espalhados pelo mundo (Darmstadt, na Alemanha; Boston, nos EUA; Pequim, na China, e Tóquio, no Japão), empregando cerca de três mil pessoas. A farmacêutica foi uma das primeiras empresas a pensar que personalizar a medicina poderia beneficiar o doente, definindo o tratamento de acordo com o seu perfil genético. O que faz é tentar identificar os doentes oncológicos cujo perfil genético tenha elevada probabilidade de responder bem ao fármaco. “Se estes dados fossem ignorados, não limitávamos a chegada de soluções ao mercado a um número mais alargado de pessoas. Mas não se tratam doenças; tratam-se doentes”, justifica Pedro Moura.

Na indústria farmacêutica, há cerca de três décadas que se fala de medicina personalizada. No caso da Merck, essa terapêutica é posta em prática há 15 anos. “Hoje, quando se fala em cancro de pulmão, a primeira pergunta é: ‘Qual é a mutação envolvida?’ Os tratamentos vão sendo aplicados de acordo com as mutações que vão surgindo”, faz notar o especialista em terapêutica genética. 

À volta do mundo A minissérie da Netflix Viver até aos 100: Os Segredos das Zonas Azuis viaja até ao Japão, Itália, Califórnia, Grécia e Costa Rica, onde se encontram grandes concentrações de centenários

Na verdade, são as respostas do corpo humano que conduzem o interesse e as investigações, porque, “ao resistir à imunoterapia, faz com que seja necessário encontrar novos mecanismos e terapêuticas que ultrapassem essas resistências”.

Existe ainda outra técnica, direcionada para neoplasias hematológicas (como leucemia e linfoma), que usa as células T, das mais importantes do sistema de defesa, para produzir, em laboratório, células CAR-T. Esse tratamento é uma forma de imunoterapia que utiliza o próprio sistema imunitário do doente para combater o cancro.

Num doente oncológico, esperar ter mais três meses de vida pode parecer pouco tempo para os anos gastos em investigação, como chama a atenção o diretor médico da Janssen, mas, por exemplo, “a quem era diagnosticado mieloma múltiplo, já se sabia a sentença: cinco anos. Agora, essa é a sentença da primeira linha de tratamento”.

Sedutora imortalidade

Conhecido por acertar algumas previsões, Ray Kurzweil, ex-engenheiro da Google, afirmou, em março, talvez de forma bastante exagerada, que os humanos alcançarão a imortalidade em 2031. O progresso das pesquisas genéticas, de nanotecnologia e robótica poderá ajudar as pessoas a enfrentar doenças que surgem com a idade. Segundo Kurzweil, robôs em tamanho microscópico serão capazes de reparar células e tecidos danificados que se deterioram à medida que o corpo envelhece, tornando os humanos imunes a doenças como o cancro.

A meio caminho entre o entusiasmo e o ceticismo, o catalão Salvador Macip, doutorado em Genética Molecular e um dos maiores investigadores mundiais em biologia do envelhecimento, explanou à VISÃO as duas teorias sobre o corpo ter um limite físico a partir do qual não será possível estender a vida. “Há um limite físico à volta dos 130 anos, que nunca conseguiremos ultrapassar. Na verdade, existem organismos imortais. Algumas alforrecas e as hidras, se não lhes fizermos nada, vivem para sempre. Portanto, a imortalidade não é impossível do ponto de vista da biologia. Mas obviamente nós somos organismos muito mais complexos do que as hidras ou as alforrecas.”

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Será necessário parar todos os fatores que desempenham um papel no envelhecimento, como as mudanças de ADN, proteínas, alterações epigenéticas e metabolismo. Salvador Macip é perentório: “Travar apenas um não será suficiente.”

O facto de se conseguir rejuvenescer as marcas do tempo no corpo não muda a sentença de o cérebro ter uma capacidade finita, mas 40% das demências podiam ser evitadas ou retardadas se se combatessem os fatores de risco: baixo nível educacional, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, abuso de bebidas alcoólicas, tabagismo, depressão, inatividade física, traumatismo cranioencefálico, surdez, poluição atmosférica e isolamento social.

Em 2021, a farmacêutica Biogen pediu autorização para introduzir no mercado um tratamento de imunoterapia que atuaria na proteína beta-amiloide, muito associada à doença de Alzheimer, mas só foi aprovado nos EUA. Para a Agência Europeia de Medicamentos, “os resultados dos principais estudos são opostos e não mostram que o Aduhelm é eficaz a tratar adultos com estágios iniciais da doença de Alzheimer”. 

No outono de 2022, foi testada no King’s College Hospital, em Londres, a vacina DCVax-L, com resultados positivos no que diz respeito ao aumento da esperança de vida de quem sofre de glioblastoma multiforme, o tumor cerebral primário mais agressivo e comum nos adultos. Treze por cento dos participantes injetados com DCVax-L viveram, pelo menos, cinco anos após o diagnóstico, sendo que o sobrevivente mais longo ultrapassou os oito anos. Foi a primeira vez, em 17 anos, que um tratamento demonstrou prolongar a vida de quem é recentemente diagnosticado com glioblastoma. O próximo passo é “aplicar a mesma tecnologia para desenvolver tratamentos para outras formas de tumores”, disse Keyoumars Ashkan, neurocirurgião e principal investigador europeu do estudo.

Trabalhar até que idade?

Haverá muitos riscos de coisas más acontecerem devido a algo bom, como a extensão da vida? “As pessoas ricas poderem vir a comprar medicamentos antienvelhecimento, enquanto as pobres não conseguem”, responde Salvador Macip. “Vamos então ter um fosso ainda maior a separar os países ricos dos pobres? Aqui, vivemos até aos 120 e, em África, continuam a morrer de malária aos 40? As nossas sociedades serão sustentáveis com uma população com tantos idosos? É importante falarmos da idade da reforma. Sim, tem de ser proporcional: se vamos viver 100 anos, não podemos reformar-nos aos 60, porque isso significa que o Estado terá de nos suportar durante 40 anos, e provavelmente não haverá dinheiro para isso. Por outro lado, se as pessoas se mantiverem ativas e a trabalhar até aos 80 ou 90, vamos criar um bloqueio no mercado de trabalho, em que os mais novos não terão acesso a empregos”, enumera.

“Portugal foi pioneiro a calcular a idade da reforma de modo mais dinâmico e mais ajustado à evolução da esperança de vida, mas em muitos países da Europa, a idade da reforma aumentou muito porque os governos estão a identificar que é preciso pagar mais impostos e durante mais tempo para que o sistema se torne sustentável”, corrobora Rui Martins, economista da saúde.

“Temos vindo a assistir a uma redução da natalidade e ao estreitamento das faixas etárias em idade ativa, ou seja, uma maior longevidade está associada a prolongar o período em que os indivíduos carecem de apoio público para as suas reformas e aumenta também o período em que precisamos de cuidados de saúde e de serviços de Segurança Social. Esta tendência demográfica preocupa alguns investigadores, devido ao peso nas contribuições fiscais e na sustentabilidade do sistema. Há quem encontre na imigração a solução para estes problemas. Como temos uma população cada vez mais envelhecida, vamos só receber pessoas jovens? Com que características? Portugal precisa de atrair uma panóplia de pessoas que venham contribuir, mas que têm de viver com condições dignas”, sublinha o economista.

A despesa pública relacionada com o envelhecimento da população (incluindo pensões, saúde, cuidados de longa duração e educação) deverá aumentar 2,7% do PIB até 2040, segundo um relatório do Gabinete de Estudos e Relações Internacionais do Ministério das Finanças. Em setembro passado, a agência de notação Moody’s deixou um alerta sobre o envelhecimento das populações a Portugal e à Grécia, sobre a vulnerabilidade da subida da despesa associada à terceira idade e o impacto da redução da população ativa no crescimento económico.

Desejando que, em breve, os preços dos medicamentos sejam ainda mais acessíveis, que seja fomentada uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercício físico, criada uma rede entre doente, comunidade e cuidados de saúde, aproveitando sinergias entre as instituições de Segurança Social e de saúde e os organismos da comunidade, Rui Martins salienta como o trabalho remoto ou em part-time pode beneficiar as pessoas mais velhas que sofram de uma doença crónica (estando controlada), tenham dificuldade ou redução da mobilidade, mas continuam na vida ativa e gradualmente diminuem as horas de trabalho.

Num tom tantas vezes irónico, a prosa de José Saramago em As Intermitências da Morte serviu também para abordar “quais as implicações de uma vida mais longa, quanto tempo passaria a durar a velhice ou em que se tornaria o corpo humano”. Questionar a capacidade de retardar o envelhecimento depende da sintonia entre a ciência e a tecnologia, aliadas a grandes investimentos e investigações para se fintar a morte.

Promessas

A caça ao pensionista

Um universo de 3,6 milhões de reformados pode decidir quem formará o próximo governo. E o leilão de promessas já começou. O PS puxa pelos galões, o PSD aumenta a parada e o Chega aterra, com estrondo, na disputa pelo voto sénior

Ilustração: GettyImages

Em Portugal, com o método de Hondt, na distribuição de deputados, e dependendo do nível de abstenção e da fragmentação eleitoral, um mínimo de 1,5 milhões de eleitores pode ser suficiente para definir quem forma governo. Não admira, assim, que as promesas partidárias se dirijam, sobretudo, a nichos de mercado de composição numerosa que, espera-se, estejam mais motivados para ir às urnas: entre essas classes, as dos professores, forças de segurança e, claro, pensionistas. Todos os estudos indicam que os mais velhos votam mais. E foram eles, durante muitos anos, um dos principais esteios eleitorais do PSD. Tendencialmente conservadores, os pensionistas reagem mal a ruturas e gostam de jogar pelo seguro. No período da Troika, pressionado pelo programa de ajustamento, Pedro Passos Coelho, ao cortar nas pensões, terá alienado, por muitos anos, essa clientela segura. Nessa altura, ainda como presidente da câmara de Lisboa, António Costa, em entrevista à VISÃO, insurgia-se contra o “esbulho” e dizia que o País devia garantir aos mais velhos “condições dignas”, depois de “uma vida de trabalho”. Estava dado o mote para as políticas posteriores do PS, a começar pela reposição imediata das pensões, dirigidas ao eleitorado sénior. Ora, mais do que nunca, nesta pré-campanha, os partidos desdobram-se em promessas para conquistar essa “clientela” decisiva.

No País dos pensionistas – mais de 3,6 milhões de portugueses –, o voto dos reformados é determinante para escolher o novo inquilino de São Bento. Para se perceber cada proposta (e as principais forças partidárias já avançaram com sugestões), importa saber que, de acordo com uma sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica, para o Público, a RTP e a Antena 1, publicada em novembro de 2023, 35% dos idosos inquiridos diziam ter intenções de votar no PS, enquanto apenas 19% declaravam que votariam no PSD.

Precisando a direita de reconquistar a confiança do eleitorado pensionista, estas conclusões ajudam a compreender a razão pela qual a Aliança Democrática (AD) de Luís Montenegro prometeu aumentar as pensões. No 41.º Congresso do PSD, o líder social-democrata assegurou que, caso seja eleito primeiro-ministro, avançará para a subida gradual do teto do Complemento Solidário para Idosos (CSI), até aos €820 – será de €550,67 em 2024 –, num espaço de quatro anos (até 2028), o que iria contribuir para a melhoria das pensões. As restantes, garantiu Montenegro, não vão sofrer quaisquer cortes, mas “aumentar, de acordo com a lei”. A norma prevê que as pensões subam de acordo com uma fórmula que tem em conta o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da inflação verificada até novembro do ano anterior – para o próximo ano, por exemplo, a subida vai variar entre 6% e 6,5%, com as pensões mais baixas a obterem acréscimos maiores.

Por outro lado, o PS aposta em apresentar soluções para viabilizar, a médio/longo prazo, os mecanismos para o pagamento das pensões de reforma e dos subsídios de desemprego e doença (as chamadas prestações sociais contributivas). Pedro Nuno Santos defende que as pensões não devem ser financiadas apenas com uma taxa sobre os salários (a taxa social única, para a qual, genericamente, os trabalhadores descontam 11% e os empregadores, 23,75%), seguindo o argumento de que a Segurança Social não pode depender só destas contribuições, quando a economia começa, cada vez mais, a depender da automação e da Inteligência Artificial, substituindo a mão de obra.

Ainda à direita, o Chega já apresentou as suas (generosas) propostas para os pensionistas, garantindo que, “em apenas seis anos (até 2030), “deixará de haver, em Portugal, pensões abaixo do salário mínimo nacional” – que é de  €820 brutos em 2024. Ideia que todos os analistas descrevem como “ambiciosa”, mas que muitos outros consideram “populista”. Na convenção do partido, André Ventura não foi capaz de explicar, de forma credível e sustentada, aonde vai buscar o dinheiro para cumprir este objetivo.

— J.A.S./F.L.

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