Em meados do século XX, imaginava-se que no futuro, o Homem seria uma criatura dedicada ao lazer, rodeado de máquinas robóticas para o servir. A natureza humana, o capitalismo e a evolução do conceito de trabalho trocou-nos as voltas, É verdade que entretanto substituímos trabalhos penosos por tecnologia mas em muitos lugares isso também foi aproveitado para despedir pessoas – o que, explicam os historiados do trabalho, é o que faz andar a economia. Agora, uma outra discussão chegou ao Parlamento Europeu: um documento deu entrada no Comité dos Assuntos Legais a propor que os robôs sejam considerados pessoas eletrónicas e que as companhias que os empreguem paguem segurança social e outros impostos como se de um normal trabalhador se tratasse. “Pelos menos as máquinas mais sofisticadas e autónomas devem ter direitos específicos e obrigações”, avança a proposta.
Segundo a organização germânica VDMA uma das maiores associações industriais na Europa, representante de mais de 3 mil empresas, ainda será cedo em termos de desenvolvimento da robótica para exigir algo que pode ser um obstáculo ao desenvolvimento da indústria.
“Isto seria o equivalente a criar um quadro legal para pessoas eletrónicas, algo que poderá acontecer em 50 anos mas não na próxima década”, declarou Patrick Schwarzkopf, um dos responsáveis da VDMA. “Consideramos que iria ser algo muito burocrático e que faria seguramente abrandar o atual desenvolvimento da indústria”, acrescentou.
Sonho da engenharia a ganhar forma – já se imaginou até que os robôs pudessem ser máquinas que aprendessem como os bebés…- a verdade é que na última década se impuseram definitivamente os robôs domésticos um poucos por todo o mundo. Na viragem do século, já perto de um milhão de robôs a trabalhar na indústria. Hoje o número praticamente triplicou.