“Há alguns anos que o uso e não podia estar mais satisfeito. Aplica-se a quase todas as disciplinas: os alunos tanto aprendem o que são quadrados como desenham casas. À medida que jogamos, acrescentamos o que quisermos, como se o personalizássemos à nossa medida. Pode não ter sido pensado para isto, mas é perfeito.”
Quem fala assim é João Freitas, 44 anos, professor de ciências na Escola Secundária de Lagoa, na ilha açoriana de São Miguel, a propósito da ferramenta que se tornou uma imensa mais valia, sobretudo nas turmas de ensino especial. A decisão, sublinha, criou um clima na sala extremamente positivo. “Abriu-nos imensas portas”, acrescenta o colega Marco Medeiros. O segredo do sucesso do jogo, concordam, é não ser agressivo e agradar tanto a rapazes como a raparigas: “É uma espécie de super Lego em três dimensões e indestrutível.”
Minecraft, o jogo de que se fala, é basicamente feito de blocos, numa versão de baixa resolução pixelizada, à boa maneira de um outro qualquer na berra em…1988. Mas, ao mesmo tempo, permite que os blocos sejam removidos e recolocados num outro lugar, numa outra construção. Jogar Minecraft, insiste a Microsoft, que comprou a empresa dona do jogo há um ano, é usá-lo como uma ferramenta criativa: afinal, não há forma de vencer, não tem nenhum objetivo nem enredo dramático que necessite ser seguido. Pensemos numa Disneylândia onde as atrações são construídas pelos visitantes. A imaginação é o limite. Mesmo.
A tecnologia como inspiração
A ideia de utilização de videojogos no meio educativo tem vindo a ganhar força – e o Minecraft teve uma integração fácil no ensino regular de vários países, como a Finlândia e a Suécia, onde já faz parte do currículo em algumas escolas. Neste momento, o MinecraftEdu, a versão desenvolvida especialmente para escolas, liga uma imensa comunidade global que comunica e troca recursos. Tornou-se, assume a empresa, mais uma resposta ao insucesso educativo pois desafia e motiva os alunos para atividades complexas que requerem atenção e dedicação. Mas há mais quem tenha o Minecraft em boa conta, como as Nações Unidas – garantia da Time! – que vêm o jogo como um instrumento para melhorar a vida humana.
«Na Microsoft também acreditamos que a tecnologia pode e deve ser aplicada em novas formas de aprendizagem, que sejam inspiradoras e aumentem a motivação», concorda Vânia Neto, diretora para a área da Educação na Microsoft Portugal, no momento em que acabam de anunciar uma nova versão do jogo para as escolas – disponível a partir do verão e gratuita no primeiro ano. A empresa, revela ainda Vânia Neto, fez já uma proposta no ministério da Educação para a criação de um programa piloto de tecnologia para o primeiro ciclo que possa incluir ambientes como o Minecraft. «Queremos também contribuir para o aumento das competências digitais de todos os alunos.»