Contornar as leis mendelianas (a transmissão das características hereditárias) foi o grande feito do recente estudo publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences – uma nova linhagem de mosquito capaz de transmitir a resistência à malária a toda a prole. Se os resultados se confirmarem na natureza, estamos a falar de uma poderosa ferramenta para a erradicação de uma doença que só em 2015 infetou cerca de 214 milhões de pessoas.
Durante a reprodução sexual normal, cada uma das duas informações de um determinado gene tem 50% de possibilidade de ser herdado pela descendência. A técnica de edição de ADN utilizada, conhecida como CRISPR-Cas9, quebra esta regra, aumentando a probabilidade da informação desejada ser transmitida a quase todos os descendentes. Isto permite que numa população selvagem o gene “resistente” se espalhe rapidamente para todos os outros indivíduos.
Os pesquisadores da Universidade da Califórnia introduziram um pequeno código genético para a criação de anticorpos contra a malária no ADN da espécie de inseto Anopheles stephensi, mas o que surpreendeu a equipa foi a taxa de 99,5% de transmissão dessa modificação para a prole.
Este mosquito mutante abre uma nova janela no combate da doença que a cada ano mata cerca de 580 mil pessoas. O mosquito estudado é o principal vetor da doença na Ásia, e os investigadores acreditam que esta descoberta poderá também funcionar noutras espécies.