Quase que podíamos apostar. John Carlin é o britânico mais catalão que existe. Não se trata de uma piada sobre o jornalista que é filho de um escocês e uma madrilenha. Fanático do Barcelona, este antigo aluno de Oxford, que antes estudou e cresceu em Buenos Aires, trabalhou como repórter nos cinco cantos do mundo, ao serviço de meios como The Independent, The Times, BBC e El País. Tornou-se muito conhecido após publicar, em 2008, Playing the Enemy: Nelson Mandela and the Game that Made a Nation, o livro que, na versão portuguesa, tem o mesmo título do filme realizado, no ano seguinte, por Clint Eastwood e protagonizado por Morgan Freeman: Invictus. John Carlin gostava tanto do primeiro presidente da África do Sul democrática, com quem privou durante anos, como atualmente detesta o 47º presidente dos EUA. Sim, o agora cronista dominical do diário La Vanguardia não perde oportunidade para zurzir aquele a quem chama “Donald, I, el Loco”. Hoje, como todos os dias desde a sua “coroação” a 20 de janeiro, Donald Trump terá honras mediáticas por receber na Sala Oval o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky. Objetivo: assinarem um “acordo-quadro” que permita “criar condições para um cessar fogo” no país invadido pela Rússia há três anos. Na prática, trata-se de fechar um negócio sobre as matérias primas e os minerais críticos ucranianos. Os detalhes do documento são ainda pouco claros e é provável que muitas cláusulas permaneçam secretas. Basta sabermos algumas das exigências que o antigo artista de entretenimento e promotor imobiliário novaiorquino tem para fazer ao ex-ator e comediante de Krvyi Rih: a Ucrânia fica proibida de entrar para a NATO; Zelensky deve organizar quanto antes eleições presidenciais, não pode recandidatar-se ao cargo que ocupa e tem de reconhecer as perdas territoriais para a Rússia (cerca de 20% da área total do país); as chamadas terras-raras e outras riquezas naturais (gás, petróleo e lítio) passam a ser partilhadas por Kiev e Washington, durante um período temporal (in)definido, através de um “fundo conjunto”.
VISÃO DO DIA: O mafioso hipnocrata?