ACOMPANHE A CARAVANA
-
Dois pais de família vão de carros buscar refugiados
-
A bordo da caravana
-
A passagem por Espanha
-
Retratos da caravana: Pedro Lapa
-
“Temos um plano!”
-
Retratos da Caravana: Vera Valério Batista
-
Retratos da Caravana: Paulo Leão
-
Caravana cumpre parte da sua missão
-
Um dia na estação dos refugiados em Viena
-
Caravana com família síria a bordo conseguiu passar a fronteira
Gastão, o seu filho mais novo, começou a andar por estes dias. É uma daquelas notícias que fazem sorrir qualquer pai, mesmo a três mil quilómetros de distância. Quando os outros três filhos começaram a andar era ele quem lá estava para registar o momento. Desta vez, calhou ser a mulher. “Parece-me justo que tenha sido a Vera”, concede, de olhos brilhantes.
Nuno só pôde avançar com a caravana Famílias Como as Nossas porque Vera assegura o dia a dia da família, em S. Martinho do Porto. E não só. Vera é jurista de formação e tem vocação para faz-tudo, duas mais-valias nos bastidores desta iniciativa. Não queremos nem imaginar as horas que tem gasto a pesquisar contactos na internet, a fazer telefonemas à esquerda e à direita Também não fazemos ideia da conta de roaming que estas duas almas vão pagar no fim do mês, mas há de trazer alguns zeros.
Se o responsável pelo recrutamento do clube de futebol alemão Colónia um dia renascer na era do homem biónico, virá de telemóvel implantado, isso é certo. Quando partiu de Lisboa, ia com várias opções em aberto para conseguir levar famílias de refugiados para Portugal. Todos os dias, arriscamos que quase de hora a hora, o plano vai mudando ao ritmo dos telefonemas e emails que troca. O wi-fi nas estações de serviço e cafés é o seu melhor amigo.
O wi-fi também vai servindo para consultar as notícias online, e uma das últimas deixou-o feliz. Quando leu que a chegada dos refugiados da “quota” atribuída a Portugal foi antecipada para meados de outubro, não resistiu a comentar: “As autoridades [portuguesas] já perceberam que, se não forem elas a virem cá, somos nós.”
Não que, aos 38 anos, considere a ideia de “levar refugiados à pirata” a ideal. “Pais de família, a fazerem sete mil quilómetros e a arriscarem ter problemas no regresso a Portugal… Muitas vezes é preciso haver um arrancador de palmas. Nós só estamos a começar a aplaudir.”
Mesmo que não consiga levar a missão a bom termo, Nuno não ficará arrependido. “Já servimos de inspiração a muita gente, em Portugal. E acredito que, com isto, também estou a educar pelo exemplo. É como se dissesse: ‘Filhos, se virem algo que está errado, não devem olhar para o lado, devem tentar ajudar.”