ACOMPANHE A CARAVANA
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Dois pais de família vão de carros buscar refugiados
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A bordo da caravana
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A passagem por Espanha
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Retratos da caravana: Pedro Lapa
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“Temos um plano!”
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Retratos da Caravana: Vera Valério Batista
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Retratos da Caravana: Paulo Leão
Manhã de terça-feira, à entrada do campo de refugiados em Opatovac, na fronteira entre a Sérvia e a Croácia. As carrinhas da caravana portuguesa recebem autorização para passar duas a duas e são encaminhadas para uma tenda da Cruz Vermelha que faz as vezes de armazém.
Lá dentro, tudo o que chega é rapidamente separado e empilhado. Calha à Vera e ao Pedro Lapa serem dos primeiros a descarregar. Trazem comida e muita roupa de criança e de mulher. Os pequenos fatos de treino e os sapatos práticos mas claramente femininos lembram que há gente para lá das grades que rodeiam o campo.
Toda a ajuda é pouca. Carolina, uma videógrafa portuguesa que mora em Madrid e se juntou à caravana no sábado, ajuda a decifrar os rótulos em português da comida enlatada. Alomba com sacos e caixas. Sorri. Nem se lembra de tentar filmar.
Dali a pouco há-de juntar-se a Vera e Pedro, a pedido da Cruz Vermelha. Sempre são mais três pares de braços a levar roupa e mantimentos para o interior do campo. Vera e Pedro voltarão de olhos vermelhos e histórias para contar. A primeira parte da missão está quase terminada.
Há quem tenha ido à localidade mais próxima para comprar casacos e botas de inverno, aqui necessários quase como pão para a boca. A chuva ainda não parou desde ontem e o frio gela os pés. Trazidos por carrinhas celulares, sem janelas, os refugiados passam por nós de calções e sandálias. Até dói.