Ínsula. É o nome desta zona do cérebro que ativa mecanismos de satisfação mesmo que não identifique o sabor dos alimentos. Quem o diz é o investigador Albino Olveira-Maia que, na quarta-feira, publicou o estudo “The insular cortex controls food preferences independently of taste receptor signaling” (a ínsula controla as preferências alimentares independentemente da receção do sabor), na revista Frontiers in Systems Neuroscience.
Em declarações à agência Lusa, o investigador da Fundação Champalimaud, disse que foram feitos testes em roedores de forma faseada e sintetizou o processo:
“Registámos a atividade neuronal enquanto estes animais, modificados geneticamente, consumiam sacarose. Olhámos para a atividade dos neurónios desta zona mediante o consumo de sacarose e, finalmente, em outros animais fizemos lesões para verificar como é que o comportamento do animal estava modificado”.
Alberto Oliveira-Maia concluiu que “o comportamento dos neurónios dessa zona [a ínsula] é modificado nos animais que aprendem a preferir a sacarose, apesar de não sentirem o seu sabor, e, por outro lado, quando introduzidas lesões nessa zona, os animais deixavam de aprender a gostar da sacarose apenas pelo seu valor calórico”.
Embora não tenha aplicação direta a seres humanos, o investigador diz que esta conclusão permite “perceber de que forma é que o valor nutritivo, o valor calórico dos alimentos, modifica a recompensa que é sentida no sistema nervoso central.”