Miguel Pinto Luz é um dos mais poderosos governantes. Tem nas mãos a venda da TAP, a construção do novo aeroporto de Lisboa e da terceira travessia sobre o Tejo, a ferrovia, a renegociação das parcerias público-privadas (PPP) rodoviárias e, claro, o tema que mais queima no momento, a Habitação. Apesar disso, raras vezes está no olho do furacão e tem tido a sorte de conseguir aparecer quase sempre para fazer grandes anúncios, passando quase incólume às polémicas – as quais incluem uma investigação judicial – que vão sendo noticiadas. Cauteloso nas declarações públicas, só veio falar dos protestos que se multiplicam pelo País a propósito da crise na Habitação para manifestar “enorme preocupação” e reconhecer a “dor” de quem se manifesta. “A população, quando se manifesta, manifesta-se com razão, porque sente, porque dói, porque há dor”, disse numa entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, já depois de as declarações de Luís Montenegro contra possíveis aproveitamentos “egoísticos” de partidos em relação aos protestos terem feito da palavra “egoístas” um dos slogans mais repetidos por quem se manifesta.
Onde Montenegro se irrita, Pinto Luz mostra paciência. Onde Luís Neves é engolido pelos casinhos, Pinto Luz afasta rapidamente as suspeitas. Sem nunca hostilizar jornalistas e recusando aparecer sem ter o aval prévio de Leitão Amaro (o ministro que controla toda a comunicação do Governo), Miguel Pinto Luz, que durante anos esteve sempre entre os putativos candidatos à liderança do PSD, é hoje um ministro cheio de poder que parece à prova de polémicas.

