Pelas 00:45, a organização do protesto colocou a votação três propostas: tirar as tendas e desmobilizar; tirar as tendas e dormir na rua de forma organizada ou manter as tendas montadas e fazer um cordão em volta. Relata a agência Lusa que a proposta para desmontar as tendas e dormir ao relento foi a mais votada, com 338 votos.
A decisão de voltar a colocar tendas na Praça D. Pedro IV foi tomada na noite de quarta-feira, durante uma assembleia popular que se prolongou por mais de três horas e culminou com a exibição de um filme projetado numa tela improvisada.
Com a polícia sempre por perto, o protesto decorreu até ao início da madrugada de forma pacífica, apenas com um momento de maior tensão, quando um homem irrompeu pela concentração a empunhar uma bandeira de Israel, sendo depois retirado pela polícia.
Pouco antes de os manifestantes decidirem que iriam permanecer no Rossio durante a noite a dormir na rua, começaram a chegar à praça trabalhadores dos serviços de Higiene Urbana da Câmara de Lisboa para realizar os habituais trabalhos de limpeza noturnos de lavagem de ruas, passeios e retirada de lixo.
No local, embora afastados dos manifestantes estiveram sempre dezenas de elementos da PSP.
No meio da praça, a estátua de D. Pedro IV foi esta noite circundada por vários cartazes, com frases como “Podes ficar com a casa, o carro, os salários, mas não ficas com a rua”.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.