A posição foi assumida por António Costa no final da reunião da Comissão Política Nacional do PS, que durou cerca de três horas e em que a questão do descongelamento das carreiras dos professores foi um dos principais temas em análise.
“Os professores não vão ficar de fora do processo de descongelamento das carreiras. Os professores foram objeto de uma medida que compreendo que os revolte e que a considerem injusta quando há vários anos se parou o cronómetro que contava o tempo da sua carreira para efeitos de progressão”, declarou o líder socialista.
De acordo com o primeiro-ministro, a proposta de Orçamento do Estado para 2018, porém, “vai de novo pôr o cronómetro a funcionar”.
“Este Governo não está a congelar, mas a descongelar, não está a cortar, mas a repor aos professores e a todos os trabalhadores da Administração Pública o direito a progredirem na sua carreira”, frisou.
Dia de greve
Os professores mantiveram esta quarta-feira uma greve geral e uma concentração em frente ao parlamento, em protesto contra a polémica proposta de não contagem do tempo de serviço prevista na proposta do OE2018, depois das reuniões do Governo com a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e a Federação Nacional da Educação (FNE).
Para o Executivo foram registados “avanços no sentido de um potencial acordo negocial”, tendo sido “exploradas possibilidades” que vão agora ser analisadas, com as reuniões entre as partes a serem retomadas na quinta-feira.
Já o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, apelou para uma “greve histórica” de professores, depois da reunião de quase quatro horas com o Governo.
Segundo Mário Nogueira, o Governo não transigiu na questão que para os professores é fundamental, a contagem do tempo de serviço, que os professores exigem e o Governo não quer ceder.
A progressão na carreira dos professores está interrompida há uma década e, segundo a leitura feita pelos vários sindicatos, a proposta de OE prevê que não seja contabilizado o trabalho realizado entre 31 de agosto de 2005 e 31 de dezembro de 2007 nem entre janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2018.
O secretário geral da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva, disse que os professores devem dar uma “resposta forte” na greve.
“Não evoluímos muito na reunião e ficou agendada uma nova reunião para a próxima quinta-feira. A principal novidade foi alguma abertura do Ministério da Educação para descongelar sete anos, mas para nós tem que ser os nove anos e meio”, disse à agência Lusa João Dias da Silva.
com Lusa