Eleições como de costume. A ida às urnas para os búlgaros começa a tornar-se algo banal. No domingo, 19 de abril, a Bulgária volta a ir a votos para escolher um governo. Estas serão as oitavas legislativas desde 2021 – as sétimas antecipadas. Nos últimos cinco anos, houve oito primeiros-ministros e 11 governos. O máximo de tempo que um político aguentou no cargo foi um ano e 34 dias. Para pôr estes números em perspetiva, considerando o mesmo período, nos outros 26 Estados-membros da União Europeia, portugueses e neerlandeses ocupam o segundo lugar neste campeonato do número de eleições, tendo sido chamados a votar em legislativas por três vezes.
De acordo com as sondagens, o favorito a vencer o próximo ato eleitoral é Rumen Radev, que até 23 de janeiro era o Presidente do país. Ex-piloto da Força Aérea búlgara, Radev estava a um ano do final do segundo mandato como Chefe de Estado e decidiu abandonar o cargo para concorrer a primeiro-ministro. O seu partido político, Bulgária Progressista, fundado há pouco mais de um mês, a 2 de março, lidera os estudos de opinião, com cerca de 30% das intenções de voto. “A classe política atual traiu as esperanças dos búlgaros. Dois terços dos cidadãos já não votam. A nossa democracia não sobreviverá se a deixarmos nas mãos de corruptos, conspiradores e extremistas. A vossa confiança obriga-me a proteger o Estado, as instituições e o nosso futuro”, afirmou Radev quando se dirigiu ao país para apresentar a demissão da Presidência – tendo sido substituído por Iliana Iotova, até então vice-presidente e que assim se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de Chefe de Estado.

