A administração talibã do Afeganistão ordenou o encerramento de todos os salões de beleza no prazo de um mês. Trata-se da mais recente redução no acesso das mulheres afegãs a locais públicos, seguindo decretos que excluem as mulheres da educação, dos espaços públicos e da maioria das formas de emprego.
“O prazo para o encerramento dos salões de beleza para mulheres é de um mês”, disse Mohammad Sadiq Akif, porta-voz do Ministério da Prevenção dos Vícios e da Propagação da Virtude, dirigido pelos talibãs, na terça-feira, referindo-se a um aviso do ministério.
Mohammad Sidik Akif Mahajar não deu pormenores sobre a proibição. Confirmou apenas o conteúdo de uma carta que circula nas redes sociais.
Na carta emitida pelo ministério, datada de 24 de junho, lia-se que transmitia uma ordem verbal do líder supremo, Hibatullah Akhundzada.
Esta ordem obrigará ao encerramento de milhares de empresas geridas por mulheres. A Câmara de Comércio de Cabul calcula que mais de 50 mil mulheres afegãs ficarão sem trabalho devido a esta decisão. “Atualmente, existem cerca de 12 mil salões de cabeleireiro para mulheres a funcionar no Afeganistão”, disse à DW Abdul Latif Salehi, diretor executivo da Câmara de Comércio de Cabul.
Na terça-feira, as Nações Unidas afirmaram que estão a colaborar com as autoridades afegãs para que a proibição dos salões de beleza seja revogada. A missão das Nações Unidas no Afeganistão, ou UNAMA, recorreu ao Twitter para instar os talibãs a suspenderem a decisão.
“Esta nova restrição aos direitos das mulheres terá um impacto negativo na economia e contradiz o apoio declarado ao empreendedorismo feminino”, afirmou.
Os governos ocidentais eas organizações internacionais já reagiram, lembrando que as restrições impostas estão a impedir qualquer progresso no sentido do reconhecimento internacional da administração talibã, que insiste que respeita os direitos das mulheres de acordo com a sua interpretação da lei islâmica e dos costumes afegãs.