Ao redor do mundo são vários os métodos de apoio às mães no período de pós parto. Este é considerado um dos momentos mais importantes para que a mulher se recupere de todos os processos que teve de passar, a nível físico e/ou psicológico.
O conceito de confinamento chinês – “zuo yue zi” – serve para isso mesmo. Taylor Richard, uma criadora de conteúdo do Canadá que se mudou para Hong Kong, deu à luz recentemente, em 2022, e após decidir ter esta experiência, gravou todo o processo num vídeo no Youtube.
De uma forma simples, Carol Chan, tal como acontece com outras “pui yuet”, encarna o papel de uma ama, que vive com a mãe e com o recém-nascido durante um mês, para ajudar no pós-parto. A especialista é quem cuida de Taylor e do bebé, impondo um conjunto de regras: não pode carregar coisas pesas, deve dormir um mínimo de horas, não deve trabalhar, não pode fazer tarefas domésticas, não pode ter o ar condicionado ligado, não pode comer coisas frias, tomar banho com uma água específica, usar ligaduras na barriga e, principalmente, não sair de casa [daí o termo de confinamento].
De entre as mais diversas coisas, a ajudante prepara as refeições, cuida do bebé e orienta sobre os diversos aspetos da maternidade. “Significou tudo! O meu marido e eu não temos nenhum membro da família em Hong Kong e, como novos pais, não tínhamos ideia de como seria”, contou à CNN. “Ter alguém a cuidar do meu corpo e a guiar-me gentilmente durante minha transição para a maternidade foi um começo muito positivo para a vida do meu bebé. Sou eternamente grata à Carol!”
O serviço de uma pui yuet é caro. Em Hong Kong varia entre os 58 mil euros a mais de 244 mil euros por 26 a 30 noites, de acordo com uma pesquisa de 2021 do Conselho do Consumidor, um órgão estatutário em Hong Kong dedicado a proteger os direitos do consumidor.
O mês de confinamento chegou ao fim para Richard em abril passado. “Sinto como se estivesse a perder um membro da família”, diz a nova mãe enquanto a porta se fecha lentamente atrás de Chan. “Se eu tiver outro bebé, adoraria tê-lo no Canadá com minha família, mas quero que a Carol venha comigo! Não consigo imaginar passar por isto novamente sem ela”.
Esta tradição não é isenta de críticas, e alguns questionaram se os métodos tradicionais de confinamento na comunidade chinesa não são muito extremos ou mesmo perigosos. Em 2015, uma nova mãe em Xangai, seguindo o costume, morreu com um golpe de calor depois de se enrolar numa colcha e desligar o ar-condicionado.