As forças leais ao líder líbio, Muammar Kadhafi, vão abandonar a cidade rebelde de Misurata e confiar às tribos da região a missão de acabar com o conflito pela via das negociações ou da força, declarou fonte governamental.
“A situação em Misurata será resolvida, tratada pelas tribos e pelos seus habitantes e não pelo Exército líbio (…), que ficará de fora”, declarou na sexta-feira aos jornalistas o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros líbio, Khaled Kaim, citado pela agência AFP, admitindo o uso “da força ou de negociações”.
Segundo o responsável, “a tática do Exército era conseguir uma solução cirúrgica, mas esta não avança com os raides aéreos” da NATO.
A BBC informou que existem “indícios” de os militares leais a Muammar Kadhafi estarem a atacar rebeldes e civis na cidade de Misrata com bombas-cluster produzidas em Espanha.
Uma jornalista da cadeira rádio-televisiva britânica assegurou ter visto provas de os soldados de Kadhafi estarem a usar estas munições contra a sua própria população e os rebeldes, apesar de o governo líbio ter negado sempre o seu uso.
Os rebeldes sitiados em Misrata, a terceira principal cidade líbia, garantem que encontraram restos destes explosivos, que podem matar e mutilar de forma indiscriminada numa área grande.
O presidente dos Estados Unidos autorizou o envio de aviões não tripulados para a Líbia, anunciou o secretário da Defesa, que sublinhou que os EUA não participam com tropas terrestres.
A primeira missão dos aviões não tripulados estava prevista para ontem, mas foi adiada devido às más condições meteorológicas, explicou Robert Gates, em conferência de imprensa conjunta com o subchefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o general James Cartwright.
Cartwright indicou que os aviões não tripulados ‘Predator’ estão especialmente armados para realizar ataques com maior precisão contra tropas fiéis a Muammar Kadhafi e permite reduzir “ao mínimo” as vítimas civis nas zonas urbanas.