“Sete horas? Se dormir sete horas não vou lá fazer nada. Tenho que dormir nove horas”. Fernando Pimenta não brinca em serviço e muito menos com as suas horas de sono, que nada têm a ver com a das pessoas ditas normais, como faz questão de explicar ao jornalista. Ele é um atleta de alto rendimento e isso nota-se também no cuidado que põe no repouso do seu corpo, durante os longos meses que passa em estágio e, acima de tudo, nas vésperas da competição. Por isso, para estar em forma na final do K1-1000 metros na manhã de terça-feira, 16, no Rio de Janeiro, ele vai ter que ir para a cama, na véspera, um pouco antes das 22 horas. E dormir as tais nove horas seguidas.
É exatamente o mesmo regime que Nélson Évora tem seguido desde que chegou, há cerca de duas semanas, ao Rio de Janeiro. Como forma de habituar o corpo e a mente ao fuso horário diferente e, acima de tudo, ao facto de ir competir sempre de manhã – o que nunca lhe tinha acontecido antes em Jogos Olímpicos ou em grandes competições internacionais – o campeão olímpico de 2008 tem-se deitado todas as noites por volta das 21 e 30, para acordar, no dia seguinte, por volta das 6 horas da manhã. É o que fará, mais uma vez, no dia da final, para a qual se apurou com a marca de 16,99 metros, a quarta melhor entre todos os concorrentes.
“Depois de acordar, a rotina já está definida”, explica Nélson Évora. “Tomar o pequeno almoço, à base de frutas, até porque não gosto de comer muito e, logo a seguir entrar no autocarro que nos leva para o local de competição. Aí, faço o aquecimento e, cerca de uma hora antes da prova começar, tenho que ir para a sala de chamada, onde todos os atletas são inspeccionados e, a partir daí, ficamos incontactáveis do mundo exterior. E entregues a nós próprios e à competição”.

Fernando Pimenta foi segundo classificado na sua meia-final
DAMIEN MEYER
Fernando Pimenta não precisará de se levantar tão cedo porque a sua prova começa um pouco mais tarde do que a de Nélson Évora, mas também porque se encontra alojado mais perto do local de competição, a lagoa Rodrigo de Freitas. O canoísta que foi medalha de prata, com Emanuel Silva, nos Jogos de Londres 2012, tomou a mesma decisão de Telma Monteiro e, antes da sua prova principal, optou por não ficar na Aldeia Olímpica, juntamente com os outros atletas. Está hospedado, com o seu treinador, Hélio Lucas, num hotel com vista para a lagoa, num local recatado. “Só às vezes é que há um pouco mais de barulho, quando há festa na Casa de França, situada mesmo em frente, com um dj a pôr música até às duas da manhã. Mas eu nem os ouço, durmo sempre muito bem”, esclarece o canoísta que, na final, promete dar tudo o que tem: “Vão ser os mil metros da minha vida”.
E se na eliminatória completou o percurso em 3m35s, que depois melhorou, na meia-final, para 3m33s, para a final, quando a VISÃO lhe pergunta onde quer ver o cronómetro parar quando chegar à linha de meta, Fernando Pimenta responde com um sorriso: “Quero chegar aos 3m24s!”. Uma marca que nunca ninguém fez em Jogos Olímpicos. “É isso mesmo, mas foi para esse tempo que eu e o meu treinador andamos a trabalhar. E seria óptimo poder juntar a medalha ao recorde olímpico”.
A final do triplo-salto, com Nélson Évora, inicia-se esta quinta-feira às 9.45 no Rio de Janeiro (13.45 em Lisboa), enquanto a final do K1-100 metros de Fernando Pimenta terá o seu tiro de partida às às 10.12 (14.12, em Lisboa). Após, espera-se, uma noite bem dormida pelos dois.