A equipa de Ding Zhao e Min Qiu, entre outros, anunciou ter conseguido tatuar tardígrados, um pequeno ser microscópico que é considerado um dos mais resistentes do mundo. O feito permite abrir caminho a várias aplicações distintas em diferentes setores, como criar micro-robôs ciborgues capazes de realizar funções médicas através de sensores ou componentes eletrónicos diretamente impressos no seu corpo.
Os tardígrados são seres que não medem mais do que meio milímetro de comprimento e conhecidos por suportar condições extremas de temperatura, de aridez ou até mesmo o vácuo do espaço.
Os investigadores da universidade chinesa Westlake explicam que começaram por desidratar lentamente os pequenos seres, colocando-os num estado suspenso de animação. Depois, cada organismo foi colocado numa folha de compósito de carbono que foi arrefecida a 143 graus centígrados negativos e onde foi coberto com um líquido orgânico que congelou numa fina camada de gelo. A equipa bombardeou o tardígrado com um feixe de eletrões de forma focada e precisa, desencadeando uma reação no líquido orgânico congelado, onde foi formado um novo químico biocompatível.
Depois, ao reaquecer o tardígrado de forma controlada numa sala à temperatura ambiente em vácuo, o químico gerado aderiu firmemente à cutícula exterior do ser, formando a tatuagem. O resto do líquido que não fora exposto ao feixe acabou por desaparecer em vapor.
Ao serem reidratados, apenas 40% dos tardígrados sobreviveram, mas os cientistas acreditam que serão capazes de aumentar a taxa de sucesso ao refinar as técnicas usadas. As tatuagens permanecem estáveis mesmo depois de submetidas a alongamentos, imersão em solventes, secagem ou enxaguamento.
O estudo completo pode ser lido na Nano Letters.