O VENCEDOR É…A CHINA!…
Contagem decrescente para as eleições presidenciais no meu País. Quem irá presidir a este pequeno/grande mundo de Camões, de Bartolomeu Dias, de Salazar, dos Capitães de Abril, de Saramago…?
Andam por aí uns indivíduos a peregrinar pelos caminhos e veredas de Portugal, de semblante fingidamente compungido, a apregoar solidariedades e novas demências de enriquecimento e criação de postos de trabalho para muitos e para ninguém.
Alguns, em particular os mais velhos – porque mais sábios – olham-nos de esguelha e nada dizem. Mais tarde, no aconchego do lar ou no café, entre amigos, dirão: – São todos iguais. Malandros e mentirosos é o que são todos eles. E tomam o seu copo de vinho. O dedo mindinho levantado, num costume antigo. Os olhos baços de vida suspensa. A desilusão a escorrer por entre os lábios molhados daquele vinho bom. As mãos crestadas do trabalho a contar os trocos da reforma. São gente séria. Nunca souberam o que eram dívidas. Dormem descansados na cama de sempre, ao lado da mulher de sempre.
Mas há quem siga os indivíduos que peregrinam na senda onde supõem encontrar o seu próprio tesouro. Lá vão eles atrás, à frente, ao lado. Acreditam num bónus. Nunca pensaram nem reflectiram muito sobre as verdades da vida. São quase sempre de meia idade. A calvície a aparecer. Um fatinho à medida comprado com cartão de crédito e sapatos de verniz. Por vezes um cachecol xadrez. Querendo aparentar opulências. Os olhos inquietos a desmentir as aparências. Untuosos com aquele pretendente a chefe que nem os vê. A abraçar as mulheres do mercado. Copiando os gestos que supõem ser os mais indicados.
No dia 23 terão um lugar no poder – sonham. Primeiro em silêncio. Mais tarde, em casa e despidos daquela roupa que não faz parte das suas vidas, sussurram à mulher: – Hoje ele sorriu-me. Juntos fazem planos de grandes vidas: – Ali é certo enriquecer. Pode-se pôr uns dinheiros de lado que ninguém repara. Um favorzinho aqui, outro ali. E rematam: – esta coisa da política é que está a dar. Sim senhor. A política é que está a dar. Para si próprios: – Poderei ter as mulheres que quiser. Na política é assim. Ninguém se fica pelo casamento, não senhor. Vai ser um folgar…
No meio destes palermas – os últimos aqui descritos – haverá gente a sério? Há, pois. Pessoas com trabalho comprovado, interessadas em minimizar o sofrimento e as carências de um povo que já foi são. Gente que continua na luta pela verdade e pelo serviço ao outro. Uma Maria de Belém Roseira, uma Helena Roseta, um Mota Amaral, um Marques Mendes…mais alguns, certamente.
Da juventude entusiasta de outrora, impregnada de ideais de justiça e liberdade, de partilha de conhecimentos, de farras saudáveis plenas de cantigas de protesto e de ruidosas gargalhadas, já pouco resta. Uns frequentam as novas Academias Universitárias, agora cheias de estudantes que para ali foram à procura do El Dourado. São um agregado de gente que está mais interessada no próprio êxito do que na conservação de uma Pátria de que nem sabem o significado.
Outros, fazendo parte de uma nova juventude, que atravessa toda a sociedade, encontram-se demasiado ocupados com tarefas de “alto respeito”. Sem nada de útil para construir ,encontram-se acoitados em casa dos pais, vivendo noites de discoteca e dormindo sonos de ressaca.
Qualquer uma destas novas espécies de juventude não serve para nada. Talvez para algum estudo sociológico de um qualquer académico, à conta de trabalho que é necessário produzir.
Por isso, o Pais não pode contar com eles – esses jovens de uma geração “nem e nem”.
Exposto o cenário em que as eleições para a Presidência da República terão lugar, o que se espera de resultados para o dia 23 de Janeiro de 2011?
Caros compatriotas. O vencedor é…A China.
Dra. Maria da Conceição Brasil mcbrasil2005@hotmail.com
17/01/2011