Durante os Jogos Olímpicos de 1972, em Munique, os primeiros a serem realizados na Alemanha após a II Guerra Mundial, a equipa olímpica de Israel foi sequestrada por um grupo terrorista, chamado Setembro Negro, que reivindicava a autodeterminação da Palestina.
Essas mesmas olimpíadas estavam também a ser marcadas por uma proeza tecnológica: pela primeira vez, um grande acontecimento desportivo era transmitido em direto para todo o mundo, com recurso a satélites.
O atentado de Munique é um dos mais marcantes episódios da história do conflito israelo-palestiniano, que já fora transposto para o cinema, por Steven Spielberg, em 2004. A mais-valia desta nova abordagem do suíço Tim Fehlbaum é o ponto de vista. Spielberg optara por um plano geral, quase de thriller, Fehlbaum dá-nos a perspetiva dos estúdios transitórios da ABC na cidade. Uma extensa equipa preparada para transmitir para o mundo inteiro um acontecimento desportivo global, mas que teve que se adaptar às novas circunstâncias. Munique tornou-se, assim, a cidade com o primeiro atentado terrorista a ser transmitido em direto para o mundo.
Antes de mais, é um filme sobre jornalismo. Foca, de forma exemplar, a pressão de contar a história, o cuidado com a confirmação da informação, a credibilidade das fontes, os preceitos éticos. Em termos de cobertura jornalística televisiva, serve mesmo de case study, que deve ser mantido como referência apesar da evolução tecnológica ter transformado o mundo da televisão em algo muito menos artesanal.
Os trágicos episódios correm em pano de fundo, submetendo-se à história de quem a quer contar. A criação do ambiente de estúdio, frenético, empolgante, é feita de forma muito bem conseguida, servindo-se também das filmagens originais de 1972 para nos mostrar o exterior.
O argumento é muito bem construído, com personagens fortes, instintivas, dilemas éticos, fricções voláteis. Mas esse argumento, que valeu uma nomeação para os Oscars, sustenta-se também na qualidade da realização e montagem, que sabe colocar o espectador num frenesim permanente.
O Atentado de 5 de Setembro > De Tim Fehlbaum, com Peter Sarsgaard, John Magaro, Ben Chaplin, Leonie Benesch > 95 min