Numa tentativa de tentar prever os limites das variantes do SARS-CoV-2, peritos do grupo Científico de Aconselhamento para Emergências britânico (SAGE) publicaram um relatório com quatro cenários possíveis. Se num deles se aborda a hipótese do surgimento de uma variante capaz de furar a proteção conferida pelas vacinas atualmente em uso, noutro, o que fica em cima da mesa é a possibilidade de uma variante provocar doença grave numa proporção muito superior ao que tem acontecido até agora. A taxa de mortalidade desta nova variante (possível em teoria) poderá ser semelhante à da MERS, que mata um em cada três infetados.
Uma das possibilidades, por sua vez, para isto acontecer é a recombinação entre duas variantes de preocupação ou sob investigação, como, por exemplo, uma combinação das variantes Beta e Alfa ou mesmo a já altamente transmissível Delta. A probabilidade de isto acontecer é, para os especialistas envolvidos nesta análise “uma possibilidade realista”.
O que fazer para evitar este cenário? Os peritos pedem que as autoridades considerem doses de reforço para manter a proteção das vacinas contra as formas graves da doença, que se reduza a transmissão do vírus, neste caso dentro do Reino Unido, minimizando também o risco de introdução de novas variantes oriundas de outros territórios, de forma a evitar também que variantes diferentes se combinem formando uma nova.
Num dos outros cenários admitidos, o coronavírus torna-se semelhante aos que causam as constipações comuns, mas com muito menor gravidade.
No documento, publicado na última sexta-feira, os cientistas concluem que a erradicação do vírus é pouco provável e que é certo que vão continuar a aparecer variantes.