Por baixo da rua de Mouzinho da Silveira, que liga a praça de Almeida Garrett, em frente à estação de S. Bento, à Ribeira, corre um rio. Trata-se do rio da Vila que, em tempos muito antigos, se chamou rio da Cividade.
Os responsáveis pela administração da cidade pretendem fazer desse rio uma atracão turística, abrindo-o aos portuenses e, naturalmente, também aos turistas que nos visitam. O que nem é mal pensado, se tivermos em conta que o encanamento desse curso de água, feito durante a construção da rua, na segunda metade do século XIX, é uma exemplar obra de engenharia toda feita em boa cantaria e com a utilização do granito da região.
O aqueduto, que não está à vista, tem de largura 2,50 metros e de altura 3,25 metros. Na sua extensão, ao longo de 301 metros, passa por baixo das ruas de Mouzinho da Silveira e de S. João, indo o rio desaguar nas águas do Douro mesmo defronte da praça da Ribeira. Para custear as obras da abertura da rua de Mouzinho da Silveira, a Câmara do Porto daquele tempo contraiu um empréstimo de 290.500$000 reis.
Mas a construção da nova artéria não foi pacífica. Obrigou, por exemplo, à demolição da linda capelinha de S. Roque e ao desaparecimento de uma das mais emblemáticas praças do Porto de oitocentos, a praça de S. Roque onde se fazia uma curiosa feira de panos de linho.
O medieval hospital dos Palmeiros, uma das mais antigas albergarias de peregrinos que havia no Porto, também levou sumiço. Mas o que mais custou aos portuenses dos finais do século XIX foi ver desaparecer a velhinha ponte de S. Domingos e a fonte que havia sob o seu arco, conhecida pela bica dos olhos. Esta denominação era muito antiga e andava ligada a uma tradição segundo a qual a água desta fonte possuía a virtude de curar diversas doenças dos olhos mas somente se eles fossem lavados com ela antes do nascer do sol…