No Parque Olímpico estão concentrados 18 mil militares, vestidos de camuflado como se fossem entrar para uma guerra. E entram, se for preciso. Todas as instalações estão sob vigilância permanente, os carros que entram no recinto, protegido por altas vedações e muros de areia, são vistoriados por dentro e por fora, e todas as pessoas passam por um controlo que é, muitas vezes, bastante mais rigoroso do que na maioria dos aeroportos.
No resto de Londres, no entanto, só se vêem militares nas primeiras páginas dos jornais. E, mesmo assim, só nos periódicos estrangeiros que por aqui se vendem. Pelo menos é essa a realidade nos dias que antecedem o início das competições.
Percorrer a margem sul do Tamisa (o chamado South Bank), pelo enorme passeio de Queens Walk, sempre junto ao rio, dá a verdadeira dimensão de como hoje Londres é uma cidade de duas caras, radicalmente distintas. É uma cidade militarizada e fortemente vigiada nos locais de competição e de reunião dos atletas internacionais, e absolutamente tranquila, descontraída e livre em muitos outros locais. Nalguns deles até com um ambiente expontâneamente eufórico, por causa do Verão inesperado (há uma semana, as previsões eram de chuva e frio…) que se vive nos últimos dias, com um Sol radioso, céu azul e temperaturas que rondam os 29 graus.
“É preciso aproveitar. O Verão em Londres só costuma durar uma semana. É esta”, avisa-me Denise, uma brasileira que, há 13 anos, trocou o calor de São Paulo pela “vida melhor” na capital inglesa.
Mas é por causa desse Verão que mais e mais pessoas saem à rua e ficam por lá até muito depois de o Sol desaparecer, sem que sopra uma brisa fresca. E os londrinos aproveitam os relvados dos seus inúmeros parques para tomar banhos de sol e a margem sul do Tamisa, repleta de bares, restaurantes e esplanadas, para beber o inevitável e tradicional copo de fim de tarde. Sem vigilância e em liberdade. Durante quanto mais tempo?