Durante mais de três meses percorremos o país à procura de boas histórias. Veja algumas das melhores imagens e oiça o testemunhos dos repórteres fotográficos
Vidas ambulantes: A mercearia ambulante com que Diamantino percorre as aldeias de Torre de Moncorvo, Trás-os-Montes, tem tudo… «menos suissinhos». Porque crianças quase não há.
Na semana da Páscoa, chegámos a Évora ao mesmo tempo que o Circo Mundial. Aí encontrámos Ruben Mariani, 27 anos passados a trabalhar no circo de seu pai, Rui. Neste momento, é o único português a fazer o clássico número circense do homem-bala, disparado de um canhão a 200 km/hora
No quarto de Leonilde: Leonilde Oliveira, desempregada, com a filha de 2 anos ao colo, em Moura, Alentejo. Ela faz parte de uma comunidade cigana de cerca de 40 famílias 200 pessoas que vive há 40 anos no largo da feira.Não há eletricidade nem esgotos, uma única torneira fornece água a todos e a casa de banho construída pelo município foi destruída.
Ganhar a vida: Numa das estradas mais movimentadas de Portugal, a EN125, que liga Vila do Bispo a Vila Real de Santo António, no Algarve, esta búlgara procura clientes. «Não há trabalho», justifica-se
Ganhar a fé: Cavalos abrem a procissão de Corpo de Deus na Vermelha, pequena aldeia do concelho do Cadaval. O culto do Divino Espírito Santo é muito forte em toda esta zona
Ganhar o peixe: Ao porto de Peniche acabara de chegar um carregamento de boa sardinha. «A da semana passada não prestava e foi vendida a preço alto por causa dos Santos Populares»
Ambiente noturno Em Paredes de Coura à porta do Café Courense
Remédios sem remédio: Lurdes Pando segura o saco com os medicamentos para o problema de pele que, todos os meses, lhe leva mais de metade dos 366 euros da pensão. Ela vive em Sequeiros, Torre de Moncorvo, e a reforma chega-lhe pelas mãos do carteiro.
É outra liberdade: Vergílio dos Santos Carrola, 37 anos, pastor na serra da Estrela, adora o que faz. «Isto está na ruína porquê? Não sabem lavrar um bocadinho de terra nem cuidar de um animal. E é do gado e da terra que vem tudo»