A região do Norte, com grande incidência no Porto, teve em 2019 o maior número de turistas de sempre – foram registadas mais de 10,7 milhões de dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico anunciava em fevereiro deste ano a Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal. Mas logo no mês seguinte, a pandemia tomava conta de Portugal e o turismo congelou. Porém, os projetos continuaram e os que terminaram, entretanto, aguardam, confiantes, no regresso desse fluxo que traz dinâmica e riqueza à cidade.
É o caso do recentíssimo São Bento Residences, a nova aposta do ramo imobiliário do grupo Nelson Quintas que abriu este mês portas no centro histórico da Invicta, logo ao lado da estação ferroviária de São Bento, considerada uma das mais belas do mundo.
Já com outras incursões bem sucedidas no turismo como o hotel Vincci Porto, premiado pelo seu projeto de recuperação, o grupo investiu agora quatro milhões na recuperação de um edificado que há muito se encontrava devoluto, transformando-o num edifício com 16 apartamentos turísticos de diferentes tipologias distribuídos por quatro pisos.
“Pensamos que faz todo o sentido ter um pequeno hotel de categoria superior junto a estação de São Bento, que é um dos largos mais visitados da cidade do Porto”, realçou à Visão Francisca Quintas, administradora da São Bento Residences, admitindo que “as expectativas pré Covid eram efetivamente muito grandes” quanto à recetividade do projeto junto dos turistas, que ainda assim já recomeçaram a regressar ao Porto.
Potencial candidato ao Prémio Nacional de Reabilitação Urbana de 2020 na categoria “turístico”, entre os projetos a concurso, o S. Bento Residences é uma obra assinada pelo arquiteto Nuno Grande (desenvolvido pelo Atelier Pedra Líquida), que criou um bloco monolítico, em betão aparente e que estabelece uma ligação singular com a envolvente que inclui não só as restantes arquiteturas mas as encostas rochosas que caracterizam aquela área urbana.

O arquiteto Nuno Grande sublinha que o objetivo foi “estabelecer um diálogo com diversos tempos, escalas e materialidades da cidade do Porto, sem cair na tentação de realizar um pastiche histórico”, colocando, esta intervenção, um ponto final a décadas de degradação e abandono em que se encontrava o imóvel.
Assumindo convictamente o tempo em que é realizado – o século XXI – “o projeto adapta-se, simultaneamente, à frente setecentista da Rua do Loureiro, à escala oitocentista da Praça Almeida Garrett (em frente à estação de São Bento), e ao gesto novecentista que liderou o rasgamento da Avenida D. Afonso Henriques”, explica o arquiteto, realçando que “ a maior qualidade deste edifício será essa: estabelecer uma ponte conceptual entre o século XVIII e o século XXI”.

Para Francisca Quintas, esta nova aposta do grupo vem consolidar o contributo do grupo para a revitalização da cidade. “Sem dúvida que preferimos reabilitar um edifício com história e com traça do século XIX do que construir um espaço totalmente novo”, referiu a responsável, reforçando que este investimento na centralidade irá permitir atingir o meio milhão de euros anuais quando o projeto atingir a velocidade-cruzeiro.
O grupo tem outros projetos em curso direcionados para o turismo entre os quais o hotel Palácio do Carmo, cujas obras deverão arrancar em 2021, com um investimento de 40 milhões e o projeto Estela Camping Resort que aguarda licenciamento mas que também deverá arrancar para obra no próximo ano em Póvoa do Varzim. Em ambos os projetos, o grupo Nelson Quintas espera criar 220 postos de trabalho.