Espaçosas moradias de luxo, jardins cuidados e campos de golfe verdejantes a perder de vista, assim é o típico cenário dos resorts dedicados ao turismo residencial. Um ambiente exclusivo que com o verão à porta habitualmente já deveria ter atraído endinheirados proprietários ou turistas com posses para desfrutar do afamado sol português.
Mas a incógnita provocada pela pandemia deixou os resorts desertos de clientes reduzindo também a necessidade de pessoal para os manter – apenas 5% dos trabalhadores do setor estão a trabalhar neste momento, segundo a Associação Portuguesa de Resorts (APR), que tem 35 empreendimentos turísticos residenciais associados.
“O recurso ao layoff como forma de preservação da força de trabalho verifica-se em praticamente todas as empresas do setor. Neste momento apenas 5% das cerca de 6 mil pessoas que habitualmente trabalham no sector estão ativas”, diz à VISÃO Pedro Fontainhas, diretor-executivo da APR.
O setor assegura na época baixa cerca de 4.500 postos de trabalho, um número que cresce para os 6 mil em época alta. No ano passado, o volume de negócios do sector atingiu os 650 milhões de euros.
O congelamento das vendas de propriedades e o cancelamento de boa parte das reservas nos resorts que se dedicam à exploração turística levaram a APR a apresentar um pacote alargado de medidas ao Governo que consideram fundamental para a sobrevivência do sector e para a manutenção dos postos de trabalho.
Entre as várias medidas de natureza fiscal, legal e laboral destacam-se algumas que poderão constituir um balão de oxigénio para os tempos mais próximos. É o caso “do prolongamento do apoio do layoff simplificado para além dos três meses de duração, mantendo-o em paralelo à retoma gradual das atividades ou a dispensa do pagamento por conta uma vez que os cálculos para este pagamento são apurados por referência ao volume de negócios e lucro tributável do ano anterior que, tudo aponta, nada terá que ver com o que se verificará este ano, ou seja, as empresas estariam a adiantar fundos por conta de um imposto que já se sabe que vai ser inexistente”, realça Pedro Fontaínhas.
Entre as mais de 30 medidas destaque-se ainda o pedido de redução da taxa de IVA do Golfe para 6% de forma a “tornar mais competitivo o setor tendo em conta a baixa no turismo”, a redução para 6% do IVA para a construção durante o período de retoma “como se fez para a recuperação e reabilitação das cidades” ou a facilitação de escrituras à distância recorrendo às redes consulares.
“Estamos moderadamente otimistas quanto à nossa capacidade de retoma e não temos dúvidas que iremos voltar ao que já fomos porque Portugal não deixou de ter os fatores diferenciadores que sempre teve. E a imprensa internacional não se cansa de dizer que o país a nível europeu é um dos melhores para investir depois da crise, mas precisamos de apoio”, sublinhou ainda o responsável.
O setor tem neste momento em curso vários projetos num valor global de cerca de 1.200 milhões e todas as empresas mantiveram o seu curso. Entre estes estão por exemplo o Ombria Resort, o Vilamoura World ou as do Belas Clube de Campo.