Foi em 1994 que Paul Milgram e Fumio Kishino cunharam o termo “Realidade Mista” e aplicaram-no, pela primeira vez, no artigo Uma taxonomia dos ecrãs visuais de realidade mista. Os dois investigadores introduziram o conceito de continuum virtual, dizendo que a Realidade Mista se situa no espetro entre a Realidade Virtual (RV) e a Realidade Aumentada (RA).
Simplificando, é uma forma de fundir o mundo real com o virtual para produzir novos ambientes e formas de visualização em que os objetos físicos e digitais coexistem e podem interagir em tempo real. Para tal, é necessária a combinação do poder de processamento computorizado com a intervenção humana e ambiental, de forma a garantir que o movimento no mundo físico é transposto para o universo digital.
Como a maioria dos smartphones do mercado tem poucas ou nenhumas funcionalidades que lhes permitam compreender o ambiente que os rodeia, eles não conseguem fornecer boas experiências que misturem o físico com o digital, ficando-se por iniciativas em que gráficos virtuais se sobrepõem a imagens do mundo real, o que é conhecido como RA. É aqui que entram os headsets, já que ao ligarem-se a computadores permite-lhes terem acesso a maior capacidade de processamento, além de proporcionarem uma experiência mais imersiva a nível de visualização.
A Microsoft causou furor com a apresentação da HoloLens em 2015, aquele que pode ser considerado como o primeiro verdadeiro equipamento de Realidade Mista. Contudo, o preço elevado e o facto de ser um headset primordialmente vocacionado para utilizadores profissionais levou a Microsoft a apostar agora na Windows Mixed Reality.
Esta plataforma permite que fabricantes de hardware – como Acer, Asus, Dell, Lenovo e Samsung – criem os seus próprios headsets, seguindo os parâmetros da Microsoft. A incorporação de sensores no dispositivo (não são necessários outros separados) permite desfrutar de experiências de Realidade Mista a um preço mais acessível, mas o ecossistema de software ainda está numa fase embrionária.
Nota: Este conteúdo foi originalmente publicado na Exame Informática nº 271