A Rewind, startup norte-americana fundada por Dan Siroker, antigo diretor executivo da empresa Optimizer, e por Brett Bejcek, pretende ajudar as pessoas a ter uma memória melhor, ou pelo menos, a conseguirem lembrar-se de tudo o que foi dito, por exemplo, numa reunião online. O objetivo é tornar a Rewind numa espécie de motor de busca para as nossas vidas online.
O sistema cria uma gravação onde se pode pesquisar o que foi dito e o que foi projetado, por exemplo, numa chamada de Zoom. “Os conteúdos de discussões, debates e decisões ficam muitas vezes perdidos assim que a reunião termina. Com o Rewind, nunca mais teremos de nos preocupar em perder este conteúdo… podemos ir atrás no tempo, para o momento exato da reunião de que estamos à procura, ou simplesmente procurar a palavra que tenha sido dita ou mostrada no ecrã”, conta Siroker ao TechCrunch.
A startup usa interfaces de desenvolvimento de aplicações (API no acrónimo em inglês) para determinar a aplicação específica que esteja a ser usada em determinado momento, cria uma linha temporal desse comportamento e usa outra API para produzir ligações diretas, que podem ser abertas no Chrome. Os utilizadores não precisam de avançar com qualquer integração com o Gmail, Dropbox ou Slack para poder tirar partido deste serviço. Basta descarregar a aplicação e começar a fazer a gravação para depois poder ver o que foi dito, mais tarde. O nome da aplicação traduz-se também por Rebobinar, que é o que os utilizadores podem fazer na prática.
O fundador explica que os processadores Apple Silicon são o que permite tornar este produto uma realidade: “sem isso, não poderíamos fazê-lo. Tiramos partido de todas as partes do System on a Chip (SoC) para fazer tudo localmente na máquina do utilizador”. O sistema da Rewind alega conseguir comprimir vídeo até 3759 vezes sem perda de qualidade, o que que equivale a dizer que mesmo unidades de armazenamento mais modestas “podem gravar anos de gravações contínuas”.
A Rewind explica que os conteúdos são armazenados localmente nos computadores Mac dos utilizadores, sem que a empresa tenha acesso, em teoria, aos dados. A empresa alega ainda que nenhuma informação a que tenha acesso será vendida para fins publicitários e recomenda que os utilizadores confirmem no início das conversas que toda a atividade será gravada, mas mantida em segurança.
Há, no entanto, sempre o risco de malware infetar o computador e ter acesso às gravações. Por outro lado, os intervenientes das conversas também poderão estar menos confortáveis no cenário de tudo o que for dito ou escrito poder ser gravado e consultado no futuro.
“A visão de longo prazo é dar aos humanos a memória perfeita, o produto hoje é tudo sobre pesquisa. É aí que podemos ter o maior impacto. Se pensarmos bem, se tivéssemos memória perfeita, não precisaríamos de procurar por algo em documentos, mensagens ou e-mails. Iríamos simplesmente lembrarmo-nos”.
A Rewind está valorizada atualmente em 75 milhões de dólares e recolheu recentemente 10 milhões junto de fundos de investimento.