Durante o ano de 2017, o Centro de Reporte de Falhas da Autoridade Nacional das Comunicações (Anacom) recebeu 192 notificações relativas a violações ou falhas de de serviço que afetaram as redes dos operadores de telecomunicações. Os dados representam um acréscimo de 83% face ao ano anterior. Entre as notificações enviadas para a Anacom figuram os incêndios que assolaram Góis, Oleiros e Alijó a 15 de outubro. A meados de novembro, mais de 319 mil assinantes/acessos de serviços de telecomunicações tinham sido afetados por falhas relacionadas com os incêndios.
«De facto, este indicador atingiu um valor máximo de 319 mil assinantes/acessos em novembro de 2017. Os valores do último trimestre de 2017 resultam essencialmente de notificações em que, além de registarem em média um número de assinantes/acessos apreciável, tiveram também uma duração extremamente elevada – resultado direto do tempo decorrido até à reposição em funcionamento das infraestruturas de comunicações eletrónicas extensivamente destruídas pelos incêndios florestais de grandes dimensões ocorridos a 15 de outubro», refere a Anacom em comunicado.
As falhas relacionadas com o fornecimento de bens ou serviços por entidades externas lideraram os motivos das quebras de serviço em 2017, reunindo 40% das notificações. Os acidentes e desastres naturais figuraram no segundo lugar das causas com mais notificações com (31%), sendo seguidas pelas falhas de hardware/software com 22% das ocorrências. Os ataques maliciosos não superaram os seis por cento das notificações.
Redes de telemóveis, telefones fixos e ainda Internet Móvel foram os serviços mais afetados.
A Anacom informa ainda que decidiu avançar com uma segunda consulta pública de um projeto de regulamento para a segurança das redes de telecomunicações. A consulta pública vai durar 30 dias úteis.
Entre as novidades que o regulamento pretende implementar figuram a descrição dos principais ativos e infraestruturas dos operadores de telecomunicações, designação de responsáveis e políticas de segurança, a obrigatoriedade de notificar as falhas registadas na rede e ainda auditorias que deverão ser feitas aos vários sistemas que suportam o setor das telecomunicações em Portugal.
«O regulamento assenta na clara identificação de que o bom funcionamento das redes e dos serviços é relevante nas situações normais do dia-a-dia, mas sobretudo nas situações de emergência, nas quais é essencial a preparação e o planeamento, e em que a entreajuda e a colaboração são determinantes para atingir objetivos comuns de que é exemplo o estabelecimento de planos de segurança e a realização de exercícios conjuntos», informa a Anacom em comunicado.