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O bloqueio ao site da Uber está em vias de se concretizar na totalidade em Portugal. Numa única frase, a Nos confirmou hoje que «cumpriu escrupulosamente as instruções do tribunal para bloquear o site da Uber».
A operadora responde assim às primeiras queixas de clientes que começaram a proliferar na Internet, durante o dia de ontem, e que garantiam não conseguir aceder ao site da Uber. Também a PT e a Vodafone confirmam que já receberam a notificação para proceder ao bloqueio do site. O que permite deduzir que, nas próximas horas ou dias, os clientes da Meo e da Vodafone serão impedidos de aceder ao www.uber.com.
O bloqueio do endereço Uber.com foi aplicado na sequência da providência cautelar que a associação de centrais de táxis ANTRAL fez valer junto do Tribunal de Lisboa no final de abril. A Uber já confirmou que foi alvo desse bloqueio, mas também reitera que a ordem do tribunal não dita o fim das operações da empresa em Portugal. Até porque a app da Uber continua a funcionar – mesmo em telemóveis ligados a redes que já procederam ao bloqueio. O que poderá reduzir os efeitos práticos do bloqueio solicitado pela justiça Portuguesa (os internautas não podem visitar o site… mas aparentemente podem usar a app para reservar um carro da Uber).
A Exame Informática apurou ainda que os operadores de telecomunicações não têm meios técnicos que permitam bloquear uma app como a da Uber, uma vez que os dados veiculados entre utilizador e estas pequenas aplicações de telemóveis surgem como tráfego indiscriminado, cujo destino não é possível identificar.
Nos bastidores das tecnologias, há quem garanta que a providência cautelar não bloqueou a app, mas terá logrado bloquear os pagamentos efetuados dentro dessa app. Instada a responder pela Exame Informática, a Uber apenas garante que a app está a funcionar na plenitude.
«A aplicação Uber e a sua capacidade de ligar utilizadores a uma viagem segura e conveniente não estará afetada nas cidades de Lisboa e do Porto. A Uber lamenta o inconveniente e espera uma decisão judicial tão brevemente quanto possível de forma a servir os seus parceiros e utilizadores em Portugal da melhor forma»
Tudo leva a crer que o braço de ferro entre ANTRAL e Uber está para durar: num primeiro momento, a ANTRAL conseguiu impôr uma providência cautelar que levou à suspensão de operações da Uber em Portugal, mas pouco depois, a Uber garantiu ter conseguido levantar esta suspensão e reiterou continuar operacional em Lisboa e no Porto.
Antes de se conhecer o bloqueio de que agora está a ser alvo, a Uber garantiu que a providência cautelar solicitada pela ANTRAL apenas incidia sobre a Uber americana e não sobre a Uber portuguesa. Nessa altura a Uber alegou que não tinha sido ouvida antes de o juíz aplicar a suspensão do serviço.