Uma equipa de físicos conseguiu criar iões de ouro através da (quase) colisão de feixes de chumbo. A experiência teve lugar no Large Hadron Collider (LHC) do CERN, o maior acelerador de partículas do mundo e concretizou a esperança dos alquimistas do século XVII, que sonhavam transformar chumbo em ouro.
Explica o artigo publicado na Nature sobre esta experiência que isso é uma impossibilidade química devido à diferença no número de protões dos dois elementos (82 no chumbo e 79 no ouro). Só a partir do século XX se descobriu que os elementos pesados podem transformar-se sim, mas não através da química – ou se transformam naturalmente através do decaimento radioativo, ou em laboratório, submetidos a um bombardeamento de neutrões ou protões.
O que os cientistas do CERN descobriram foi que ao apontar feixes de chumbo na direção um do outro, enquanto se deslocavam a uma velocidade próxima da da luz, ocasionalmente, em vez de sofrerem uma colisão frontal, os iões cruzavam-se por instantes. Quando isto acontece, o intenso campo eletromagnético em torno de um ião pode criar um impulso de energia na forma de protões que leva um núcleo do chumbo a ejetar três protões, transformando-o num núcleo de ouro.
A partir daqui, os investigadores analisaram dos dados das colisões no LHC entre 2015 e 2018 e concluíram que, durante esse período, terão sido criados 86 mil milhões de núcleos de ouro, que terão existido durante um microssegundo.