John D. Rockefeller, que construiu uma das maiores fortunas da História, costumava dizer que a única coisa que lhe dava prazer era ver os seus dividendos a chegar. Para muitos investidores, esta remuneração paga pelas empresas representa uma parte importante da sua rentabilidade e de crescimento dos investimentos. E, a julgar pelo valor que as grandes cotadas planeiam distribuir este ano, terão muitas razões para esfregar as mãos. O montante a pagar aos acionistas deverá bater um novo recorde, à boleia de dividendos especiais aprovados após os lucros históricos registados por muitas grandes empresas no ano passado.
Os grandes pagamentos surgem após um exercício que correu de feição para muitas empresas, com os resultados empresariais a baterem máximos, fruto do crescimento das vendas e do aumento das margens operacionais. Regra geral, as grandes cotadas conseguiram defender o seu poder de mercado, num contexto de alta inflação, alimentada pela forte recuperação da procura após a pandemia, a guerra na Ucrânia, problemas nas cadeias produtivas, preços altos das matérias-primas e subidas agressivas das taxas de juro. Em alguns setores – como o petrolífero, o bancário, o logístico e o agroalimentar – este cenário macroeconómico, que até poderia parecer desafiante, foi ouro sobre azul para o negócio.