No início do próximo ano, é provável que Frederico Fezas Vital esteja de regresso a Daca, encabeçando uma viagem de imersão no ecossistema que Muhammad Yunus começou por criar nas aldeias em redor da capital do Bangladesh, nos longínquos anos 70. Foi esse o pedido que o aclamado “pai do microcrédito” lhe fez em junho. Afinal, o português dirige um centro de investigação que pertence à rede criada pelo Prémio Nobel da Paz em 2006 – o Católica-Lisbon Yunus Social Innovation, cujo objetivo é fomentar e semear a inovação social como ferramenta na resolução de problemas sociais e ambientais.
O pedido surgiu em tom sério durante o encontro festivo de membros dos centros da rede Yunus Centre (são mais de cem, no mundo) que o atual chefe do governo provisório do Bangladesh tem por costume fazer coincidir com o seu dia de anos, 28 de junho. Suspenso por causa da perseguição que lhe foi movida, durante mais de uma década, pela então primeira-ministra Sheikh Hasina (autoexilada na Índia, desde agosto de 2024), o tradicional encontro seria retomado este verão, para gáudio daqueles que estiveram no Bangabhaban, o palácio presidencial, outrora residência do governo do Império Britânico.