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Baseado em dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, o trabalho está dividido em duas partes e analisa, primeiramente, as eleições legislativas realizadas no País entre o 25 de abril de 1974 e as últimas eleições, de 2024.
Em 50 anos de democracia ocorreram 17 eleições legislativas
De acordo com os cálculos feitos pela Pordata, já entraram mais 95 milhões de votos nas urnas desde 1976, em 17 eleições legislativas (a Pordata explica que não se consideram, nesta análise, as eleições para a Assembleia Constituinte, de 1975, as primeiras eleições livres). Por duas vezes, as eleições com maior taxa de participação acabaram por dar vitória à Aliança Democrática (AD), a primeira em 1979, com Sá Carneiro, e a segunda em 2024, com Luís Montenegro. Os sociais-democratas foram também o partido com maior número de votos numa eleição legislativa, com 2,9 milhões de votos, em 1991, com Cavaco Silva.
Quanto aos dados relativos à abstenção, foi a eleição de 2019, que elegeu António Costa para um segundo mandato enquanto primeiro-ministro, que teve a taxa mais alta, de 51,4 por cento. No entanto, a taxa de participação – o número total de eleitores – não ultrapassa os 60% dos eleitores desde 2009.
Noutros dados, em cinco décadas, apenas seis governos concluíram o mandato que lhe estava confiado: Cavaco Silva (1987/1991 e 1991/1995), António Guterres (1995-1999), José Sócrates (2005-2009), Pedro Passos Coelho (2011-2015) e António Costa (2015-2019).
Ao longo do período democrático, o PS e a AD conseguiram, mais de dois terços do total dos votos válidos em 14 eleições legislativas, ficando aquém dessa representatividade apenas em 1980, 1985 e 2024.
Existiram ainda seis governos de maioria absoluta, dois dos quais liderados pelo PS e quatro pelo PSD.
O PS liderou o País por mais de 21 anos
Entre as forças políticas, o Partido Socialista foi o que liderou Portugal durante mais tempo, tendo formado governo nove vezes, sete das quais nas últimas três décadas. Em contrapartida, nos últimos 30 anos, pouco mais de 8 anos corresponderam a um governo liderado pelo PSD.
Ao olhar para o crescimento dos partidos em 50 anos de democracia, o número de opções políticas aumentou nos últimos anos. De 14 partidos a votos em 1976, cresceu para 20 o número de partidos ou coligações candidatas a formar Governo em 2024.
Os dados indicam ainda que o Partido Renovador Democrático (PRD) foi o partido que mais cresceu numa eleição, em 1985, conseguindo 45 deputados nas suas primeiras legislativas. Recentemente, CHEGA tem aumentou o número de deputados de forma significativa de uma eleição para a outra, crescendo de 12 para 50 deputados entre as eleições de 2022 e 2024.
As mulheres representam, desde 2015, pelo menos 30% dos deputados eleitos na Assembleia da República. O parlamento com maior número de mulheres foi eleito em 2019, do PS, 38,7% de deputadas.
Já tendo em conta os círculos eleitorais, Lisboa, Porto, Braga e Setúbal são os que elegem mais de metade dos deputados.
O que mais preocupa os inquiridos em Portugal?
A segunda parte do retrato, centrado nos dados reunidos pelo Eurobarómetro, é dedicada à análise do contexto europeu e das perceções dos cidadãos europeus – incluindo Portugal – sobre a política nacional e europeia.
No que diz respeito aos assuntos que mais preocupam os portugueses, o retrato da Pordata revela que 8 em cada 10 inquiridos em Portugal afirmam não confiar nas forças políticas. Uma tendência verificada em 13 dos 27 estados-membros da União europeia, em que mais 70% das pessoas não confiam nos partidos políticos. As exceções são a Dinamarca e o Luxemburgo, onde a proporção de pessoas que confiam é maior do que as que não confiam nos partidos políticos.
Em Portugal, 53% dos cidadãos não confiam na AR – um valor abaixo da média europeia, (58%) – e 56% refere não confiar no sistema de justiça – o que coloca Portugal acima da média e entre os seis países que menos confiam nesta instituição.
Por outro lado, 67% dos inquiridos portugueses tendem a confiar na UE, uma percentagem mais de 10 pontos percentuais acima da média e que tem melhorado significativamente desde o verificado no inquérito de 2023.
Aumento do custo de vida, saúde e habitação são as maiores preocupações dos portugueses
A análise aos dados do Eurobarómetro revela ainda que 43% das pessoas em Portugal consideram o custo de vida como um dos maiores problemas que o país enfrenta atualmente – uma preocupação partilhada com os restantes países da UE – seguindo da Saúde (36%) e da Habitação (28%).
A habitação é vista de forma díspar pela Europa, sendo tomada como um problema prioritário em países como os Países Baixos (47%), Espanha (35%) e Portugal, mas considerada residual nos países nórdicos ou na Europa de leste.
Quanto à imigração, este é vista como um problema a nível europeu e apontado como prioritário por 1 em cada 5 cidadãos europeus, sobretudo em países como Chipre, Países Baixos, Alemanha e Malta. Em Portugal, contudo, é apenas apontado por 1 em cada 10 residentes, ou seja, cerca de 10%.
Economia e defesa devem ser prioridades da União Europeia
Nos primeiros meses do ano – e segundo os dados do Eurobarómetro especial de Inverno – 41% dos inquiridos em Portugal considerava a competitividade, economia e indústria as principais prioridades da União Europeia, seguida pela Defesa e segurança (39%).
Já segundo os dados europeus, para além da defesa (36%), os inquiridos europeus acreditam ser prioritária uma maior intervenção na Segurança alimentar e agricultura (27%), Independência Energética, recursos e infraestruturas (25%), Educação e investigação (22%) e Valores da EU27, incluindo democracia e proteção dos direitos humanos (21%).
O retrato, por fim, revela que 35% das pessoas em Portugal não falam sobre política com amigos ou familiares. Apenas 10% dos inquiridos refere debater política frequentemente, abaixo da média europeia, de 23%.